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Dois médicos

O "empresário" e o "soldado": a escolha do novo secretário de Saúde do ES

O vice-governador eleito Ricardo Ferraço indicou a Casagrande um nome para substituir Nésio Fernandes. Um grupo resiste e faz campanha por outra pessoa

Publicado em 14 de Dezembro de 2022 às 15:56

Públicado em 

14 dez 2022 às 15:56
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves

Sede da Secretaria Estadual de Saúde, na Enseada do Suá
Sede da Secretaria Estadual de Saúde, na Enseada do Suá Crédito: Ricardo Medeiros
A saída do médico Nésio Fernandes da Secretaria de Estado da Saúde do Espírito Santo é dada como certa. O titular da pasta está em férias desde o segundo turno das eleições de 2022, em outubro.
O subsecretário Tadeu Marino assumiu o comando. Nésio, como já registrado pela coluna, acumulou desgastes, não devido à sua atuação técnica como secretário, mas sim por questões político-ideológicas.
Filiado ao PCdoB, o médico sanitarista clássico, como Nésio se define, nunca escondeu sua militância, o que provocou arestas mal aparadas com alguns prefeitos.
Um aliado do governador Renato Casagrande (PSB) também confidenciou à coluna que faltou "jogo de cintura" do secretário na relação com o setor privado de saúde.
Como Casagrande foi reeleito num páreo duro contra o bolsonarista Manato (PL), a saída de Nésio é, digamos, uma consequência da fatura eleitoral e da necessidade abrigar, na próxima gestão, as correntes diversas que subiram no palanque do socialista.
O vice-governador eleito Ricardo Ferraço (PSDB), um homem de centro-direita, que Casagrande já disse que vai ter ascendência sobre todo o secretariado, tem sido preponderante para garantir esse rearranjo.
E partiu dele, de acordo com um integrante do primeiro escalão do governo, a indicação de um nome para assumir a Secretaria de Saúde, o médico Remegildo Gava Milanez, um conhecido ginecologista e obstetra do Espírito Santo, que teve atuação empresarial.
Ricardo, como é sabido, tem boa interlocução com os empresários.
Cabe a Casagrande decidir se aceita a sugestão do aliado, que vai ser uma espécie de supersecretário a partir de janeiro. Uma das missões do tucano é, justamente, estreitar os laços do governo com a classe empresarial.
Sob os holofotes, nenhum integrante do governo afirma que isso seja algo que precise ser aperfeiçoado, mas, nos bastidores, mais de uma pessoa admite que sim.
Remegildo foi presidente da Associação dos Empresários da Serra e diretor-presidente do Hospital Metropolitano. Atualmente, é o responsável pelas relações institucionais do Vitória Apart Hospital.
Até mesmo uma pessoa que não é próxima a Casagrande o elogia: "Sujeito íntegro e comprometido com o social".
O médico, entretanto, não tem experiência no setor público.
Remegildo, então filiado ao PDT, foi suplente de João Coser (PT) nas eleições de 2014, quando o petista tentou ser eleito senador. E disputou uma cadeira na Assembleia Legislativa, também pelo PDT, em 2006.
"CONFLITO DE INTERESSES"
Enquanto isso, já surgiu um movimento contrário ao médico indicado pelo vice-governador eleito.
O Coletivo Convergência Democrática Brasil, por exemplo, divulgou nota em que externa "preocupação com a indicação de um empresário do setor saúde para assumir a Secretaria de Estado da Saúde".
"Não se trata apenas de um empresário da saúde, mas de representante institucional do grupo Athena Sudeste, responsável pela aquisição de um grande número de hospitais e clínicas entre as quais, inclusive, um plano de saúde, em vários estados da federação. Há aqui, em nosso entendimento, um inafastável conflito de interesses. A iniciativa privada nunca competiu com o SUS mas, ao contrário, sempre buscou se beneficiar de seu insuficiente, porém, enorme orçamento", diz a nota.
O Coletivo endossa a permanência de Tadeu Marino à frente da Sesa.
"Senhor Governador, o Coletivo Convergência Democrática Brasil entende que precisamos na liderança do SUS do nosso Estado alguém verdadeiramente comprometido com o Sistema Único de Saúde, em sintonia com os princípios de universalidade, equidade, integralidade, igualdade, gratuidade, participação da comunidade, princípios consagrados na Constituição Federal em harmonia com as aspirações da sociedade e dos trabalhadores da saúde. Esse é um lugar para quem dialogue com todos inclusive com os detentores de mandatos eletivos", elenca a nota do grupo.
"Para nós, Senhor governador, permita-nos particularizar, esse líder que precisamos no Sistema Único de Saúde do Espírito Santo é o médico pediatra, servidor público, Dr. José Tadeu Marino", conclui o texto.
O coletivo é integrado, entre outros, pelo doutor em História Rafael Cláudio Simões e pelos médicos Geraldo Queiroz e Fernando Herkenhoff.
A coluna tentou falar com Remegildo Gava, mas não obteve retorno até a publicação deste texto.
Um dado a ser observado por um leitor da coluna é que o médico foi diretor e fundador do Hospital Metropolitano, mas depois a unidade foi vendida. Assim, um aliado o considera "ex-empresário".
TADEU MARINO: "SOU UM SOLDADO DO PARTIDO E DO SUS"
Tadeu Marino, que é subsecretário de Planejamento e Transparência da Sesa, responde pela pasta desde o início das férias de Nésio Fernandes e vai seguir na função ao menos até 31 de dezembro.
Ele afirmou à coluna nesta quarta-feira (14) que não teve conversas com o governador sobre assumir a titularidade da pasta a partir de janeiro, mas se houver o convite, a resposta já está pronta:
"Sou um soldado do partido e do SUS. Se o governador precisar, estou à disposição".
Marino é filiado ao PSB há 30 anos e foi secretário de Saúde na gestão anterior de Casagrande, de 2011 a 2014.
Ser filiado ao PSB e aliado de longa data do governador poderiam ser pontos a contar a favor do subsecretário, mas diante da inquietação de aliados do socialista por espaço no governo e até críticas de que o PSB abocanhou um grande quinhão na atual gestão, esse histórico pode, na verdade, pesar contra Tadeu Marino.

Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.

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