Nasci em 26 de maio de 1970, poucos dias antes do início da Copa do Mundo do México. Como milhões de brasileiros, meu pai vivia a expectativa pela estreia da Seleção Brasileira. Mas, no meu caso, a Copa teria uma importância ainda maior.
Antes mesmo do meu nascimento, meu pai tomou uma decisão inusitada. Disse à família que o nome do seu filho seria o mesmo do jogador que marcasse o primeiro gol do Brasil naquela Copa do Mundo. Era uma promessa simples, mas que acabaria marcando toda a minha vida.
O problema é que eu nasci antes da estreia da Seleção.
Enquanto o Brasil não entrava em campo, eu permanecia sem nome definido. Durante aqueles dias, minha avó, minhas tias e os demais familiares me chamavam apenas de “Neném”. Todos aguardavam o desfecho daquela curiosa promessa feita por meu pai.
No dia 3 de junho de 1970, o Brasil enfrentou a Tchecoslováquia em Guadalajara, no México. A seleção saiu atrás no placar, mas aos 24 minutos do primeiro tempo aconteceu o lance que mudaria a história do jogo e, de certa forma, a minha também. Em uma cobrança de falta memorável, Roberto Rivellino empatou a partida, marcando o primeiro gol do Brasil na Copa do Mundo de 1970.
Naquele instante, meu destino estava definido.
Meu pai cumpriu a palavra dada e eu passei a me chamar Rivelino.
O Brasil seguiria sua caminhada rumo ao tricampeonato mundial com uma das maiores seleções de todos os tempos. Eu, por minha vez, cresceria carregando um nome que nasceu de uma paixão pelo futebol, de uma promessa de pai e de um momento histórico do esporte brasileiro.
O mais curioso é que essa história não terminou em 1970.
Anos depois, já adulto, tive a alegria de ser seguido nas redes sociais pelo próprio Roberto Rivellino. Naturalmente, passei a segui-lo também. O que começou por causa de uma coincidência envolvendo meu nome acabou se transformando em uma relação de admiração e respeito.
Com o passar do tempo, surgiu a oportunidade de conhecê-lo pessoalmente. E foi exatamente o que aconteceu.
Eu e meus dois filhos, Rivelino e Ricco, tivemos a honra de visitar Rivellino em sua casa, em São Paulo. O encontro superou todas as expectativas. Ele nos recebeu com enorme carinho, atenção e simplicidade. Foi extremamente receptivo e fez com que nos sentíssemos verdadeiramente bem-vindos.
Levamos algumas camisas para serem autografadas, mas ele foi além. Fez questão de me presentear com uma camisa sua, autografada especialmente para mim. Até hoje essa camisa ocupa um lugar de destaque na sala da minha casa, como uma lembrança permanente daquele momento inesquecível.
Registramos tudo em fotografias. Tenho imagens ao lado de Rivellino e dos meus filhos com ele, compartilhando aquele encontro tão especial. Cada fotografia conta um capítulo de uma história que começou muito antes, naquela tarde de junho de 1970.
A emoção foi ainda maior porque a admiração atravessou gerações. Meu filho mais velho também se chama Rivelino, uma homenagem ao verdadeiro Rivellino, o craque que inspirou meu pai, deu origem ao meu nome e acabou inspirando o nome de meu filho.
Por isso, aquele encontro representou muito mais do que conhecer um ídolo do futebol. Foi a realização de um sonho construído ao longo de décadas. Um sonho meu, dos meus pais, que escolheram meu nome movidos pela paixão pelo futebol, e do meu filho, que herdou não apenas o nome, mas também a história.
Poucas pessoas podem dizer que seu nome nasceu de um gol em uma Copa do Mundo. Mais raro ainda é poder afirmar que, muitos anos depois, tiveram a oportunidade de agradecer pessoalmente ao homem que marcou esse gol.
Eu tive esse privilégio. E toda vez que olho para a camisa autografada em minha sala ou para as fotografias daquele encontro, lembro que algumas histórias escritas pelo futebol acabam se tornando histórias de vida.