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Letícia Gonçalves

Entenda por que o número de candidatos a deputado federal caiu no ES

Apenas 5 partidos isolados (que não integram federações) lançaram chapas completas em 2026

Publicado em 18 de Agosto de 2026 às 03:15

Públicado em 

18 ago 2026 às 03:15
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves Letícia Gonçalves
Plenário da Câmara dos Deputados, em Brasília Cleia Viana/Câmara dos Deputados
O Espírito Santo tem 135 candidatos a deputado federal em 2026. Em 2022, foram 201 registros de candidatura. A queda foi de 32,84%. Em 2018, eram 170 os candidatos. O número de postulantes a vagas na Câmara dos Deputados no estado, portanto, é menor agora que nos últimos dois pleitos.

Dos 11 partidos que lançaram chapas de candidato a deputado federal no Espírito Santo sem estarem federados com outras siglas, apenas cinco conseguiram montar chapas completas, ou seja, com 11 nomes: PSB, Republicanos, PL, Avante e Podemos.

O Democrata, legenda de menor expressão, lançou apenas dois, assim como o Unidade Popular (UP). O DC tem 8 candidatos a deputado federal. O PSD do ex-governador Paulo Hartung conseguiu juntar 9. O Novo e o Missão têm 10 cada um.


A chamada superfederação formada por União Brasil e Progressistas, a União Progressista, lançou 11. A federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV), também, assim como a federação formada por PRD e Solidariedade.

Desde 2020, não há mais coligações proporcionais no Brasil. Isso quer dizer que partidos não podem se unir apenas ocasionalmente nas eleições para lançar chapas de candidatos a deputado. A parceria só vale se for em formato de federação, o que liga as siglas umbilicalmente por pelo menos quatro anos. 

Em tese, isso poderia aumentar o número de candidatos, já que cada partido, se não federado, tem que "dar seus pulos" e lançar, sozinho, a quantidade necessária de nomes à Câmara dos Deputados.

Só que isso não é tarefa fácil.

É preciso encontrar gente que tenha votos. E o partido tem que ter dinheiro para bancar as campanhas.

O deputado federal eleito com menos votos em 2022 no estado foi Messias Donato (então filiado ao Republicanos), escolhido por 42.640 eleitores. Mas o desempenho de toda a chapa faz diferença.

No Espírito Santo, o conjunto de candidatos de uma chapa deve obter entre 170 mil e 210 mil votos para emplacar ao menos um eleito.

Não é toda sigla que conta com nomes fortes e estrutura (leia-se verba suficiente do fundo eleitoral) para enfrentar a corrida.

Como resultado, o número de candidatos caiu.

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E a quantidade de partidos em atividade também, uma vez que houve várias fusões de siglas nos últimos anos, na tentativa de sobrevivência para vencer a cláusula de desempenho, que é justamente receber o número mínimo de votos na eleição para a Câmara dos Deputados.


Eleger deputados federais é algo vital para os partidos. É com base no resultado desse pleito que é calculada a fatia da verba do fundo eleitoral que vão receber, além do tempo de exibição no horário eleitoral. O dinheiro do fundo partidário também é impactado.

Sem isso, a legenda fica asfixiada, vai morrendo aos poucos.

Dos 135 candidatos registrados na corrida no Espírito Santo, porém, apenas cerca de 30 são realmente competitivos. Ou, pelos cálculos do meu colega Vitor Vogas, 23.

Importante destacar que o fato de ter chapa completa (com 11 candidatos) não significa necessariamente maior chance de eleger alguém. Isso depende da quantidade de votos que esse grupo, no total, vai obter.

O Avante e a federação formada por PRD e Solidariedade, por exemplo, têm chapas completas, mas dificilmente vão eleger um deputado federal.

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Letícia Gonçalves

Letícia Gonçalves Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espírito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiária no site Gazeta Online/CBN Vitória. Em 2008, passou a atuar como repórter da rádio. Em 2012, migrou para a editoria de Política de A Gazeta, tambem como repórter. Exerceu a função de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Letícia Goncalves.

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