Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados
O deputado federal Evair de Melo (Republicanos) apareceu na véspera do dia da votação como um dos favoritos a ser eleito para uma das vagas ao Senado no Espírito Santo. Isso foi apontado pela pesquisa Quaest, no sábado (3), que mostrou o republicano empatado com Maguinha Malta (PL) em segundo lugar.
O resultado das urnas de domingo (4) foi ainda mais favorável a Evair. Ele não só conquistou uma cadeira em Brasília como quase ultrapassou o ex-governador Renato Casagrande (PSB) em número de votos.
Casagrande, desde sempre o favorito na disputa, assegurou, por um triz, o primeiro lugar, teve 995.361 votos (24,70%) contra 982.978 (24,39%) de Evair.
Mas o que explica o desempenho do candidato do Republicanos? Eis aqui algumas hipóteses.
1) A ONDA BOLSONARISTA
Já frisei, na coluna sobre o motivo de Ricardo Ferraço (MDB) ter ficado em segundo lugar na corrida pelo Palácio Anchieta, que a "onda bolsonarista" não explica tudo, mas especialmente em relação aos cargos em disputa para o parlamento, tem uma força que não pode ser ignorada.
Não só o bolsonarismo como o voto com viés ideológico. Não à toa, o deputado federal mais votado do Espírito Santo é Lucas Polese, do PL, e a segunda mais votada é Jack Rocha, do PT.
Creio que Evair foi mais um dos beneficiados por esse fator.
Ex-integrante do PP e recém-filiado ao Republicanos, o deputado tem atuação voltada à direita, já recebeu até declaração de apoio de Jair Bolsonaro, antes de este ser condenado e preso por tentativa de golpe de Estado.
Quando ainda filiado ao PP, Evair ainda foi um dos vice-líderes do governo Bolsonaro na Câmara.
2) O ELEITOR DE CENTRO-DIREITA
Durante a campanha, entretanto, ele tentou se apresentar ao eleitor não como um extremista ideológico. No horário eleitoral na TV, por exemplo, o tom foi moderado.
Em entrevistas, como na sabatina realizada por A Gazeta e CBN Vitória, o republicano deixou escapar algumas de suas bandeiras mais radicais, como ao defender que o MST deveria ser classificado como organização terrorista.
Mas, no geral, tentou falar para além da bolha.
Evair teve como parceira de chapa Maguinha, filha do senador Magno Malta. A onda bolsonarista também a elevou nas intenções de voto na véspera do pleito.
Por ser filha do senador Magno Malta e filiada ao PL, Maguinha naturalmente soa mais à direita até que Evair.
Uma hipótese possível é que parte dos eleitores de direita não tão radicais, ao notarem que a segunda vaga ao Senado ficaria ou com Evair ou com Maguinha, pelas pesquisas, decidiram optar por Evair até como "voto útil".
De certa forma, a presença de Maguinha no páreo fez Evair parecer mais ao centro do que realmente é.
Claro que também deve ter havido o voto Evaguinha, em que um mesmo eleitor votou nos dois.
Então a vitória de Evair deu-se pela soma dos votos bolsonaristas-raiz com os da direita menos radical.
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Há também quem destaque a aparição do ex-governador Paulo Hartung (PSD) na campanha do deputado federal.
Isso pode ter tido alguma relevância no sentido de reforçar a imagem de Evair ao centro e não ao extremo, mas não creio que tenha sido algo tão determinante para a vitória do republicano.
Hartung não participou ativamente da campanha do aliado, teve apenas esse vídeo, pontualmente.
3) AGROMAN
Outro fator que certamente contou a favor de Evair foi a capilaridade no interior do estado. Evair é ligado às pautas do agronegócio. Está no terceiro mandato de deputado federal e tem presença em municípios produtores.
Muitas vezes, os votos dele são chamados de "votos invisíveis", por partirem de rincões do Espírito Santo, mas sempre lhe garantirem a vitória.
4) PAZOLINI E OUTROS ALIADOS NA GRANDE VITÓRIA
Mas para ser eleito senador ele precisaria de mais que isso: ter votos na Grande Vitória também. E teve.
Na região metropolitana, Evair contou com o apoio do ex-prefeito de Vitória Lorenzo Pazolini (Republicanos), que foi o candidato mais votado ao Palácio Anchieta.
Aliás, o deputado contou até com aliados que estavam no palanque do governador Ricardo Ferraço (MDB), como o deputado federal Gilson Daniel (Podemos).
O único município da Grande Vitória em que Evair foi o candidato mais votado foi Guarapari (32.266 votos), seguido por Casagrande (30.039 votos).
Nos outros seis municípios, a situação se inverteu. O socialista foi o mais votado, mas Evair ficou em segundo, bem perto.
Considerando todos os 78 municípios do Espírito Santo, Casagrande venceu em 39 e Evair, em 38.
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