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Casagrande x Manato: A disputa pelos votos da Assembleia de Deus no ES

Líderes de entidades ligadas à denominação religiosa declararam apoios. Personalidades da política, também evangélicas, subiram no palanque

Vitória
Publicado em 17/10/2022 às 09h55
Renato Casagrande e Manato no horário eleitoral
Renato Casagrande e Manato no horário eleitoral. Crédito: Reprodução

Sempre que abordo os temas religião e política faço questão de frisar que os fiéis-eleitores não são robôs ou tampouco pacientes lobotomizados, que, necessariamente, vão votar de acordo com o que prega o pastor ou o padre. A escolha do candidato passa por muitos fatores. 

O religioso, entretanto, certamente, no Brasil, é um deles. Não à toa o presidente da República, Jair Bolsonaro (PL), tem um desempenho melhor entre evangélicos que entre católicos. Em relação ao ex-presidente Lula (PT), é o contrário. Isso na corrida pelo Palácio do Planalto.

Se dependesse apenas dos eleitores do Espírito Santo, Bolsonaro teria sido reeleito em primeiro turno, com 52% dos votos. Isso mostra que o peso do eleitorado conservador, o que inclui os evangélicos, é relevante.

Com isso em mente, os candidatos ao governo do estado não perderam tempo. Na sexta-feira (14), a campanha de Renato Casagrande (PSB) anunciou que ele obteve o apoio "da maior convenção das igrejas evangélicas Assembleia de Deus do Estado, a Cadeeso".

Trata-se da Convenção das Assembleias de Deus no Estado do Espírito Santo. De acordo com a entidade, ela é a maior em número de filiados.

“Na nossa visão, Casagrande é o mais bem preparado para continuar o bom trabalho que vem sendo feito”, afirmou o pastor Arnaldo Candeias, presidente da Cadeeso.

No primeiro turno, a convenção não foi tão direta quanto a endossar um postulante ao Palácio Anchieta. Flertou com Erick Musso (Republicanos), que depois desistiu e disputou o Senado.

Agora, optou pelo governador, que é católico, em detrimento de Manato (PL), evangélico.

Na mesma sexta-feira, a campanha de Casagrande divulgou outro apoio ligado à igreja, o do presidente da Comadeeso, a Convenção dos Ministros das Assembleias de Deus no Estado do Espírito Santo.

Governador Renato Casagrande recebe apoio de integrantes da Cadeeso para a reeleição
Governador Renato Casagrande recebe apoio de integrantes da Cadeeso para a reeleição. Crédito: Divulgação

Cabe ressaltar que a Assembleia de Deus não tem uma estrutura hierárquica rígida como a da Igreja Católica. Logo, o apoio de uma entidade, ou o de alguns de seus líderes, não vincula toda a instituição a um projeto eleitoral.

Manato, no domingo, reagiu. Divulgou possuir o apoio da Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil (CGADB).

Trata-se de uma declaração do pastor José Wellington Costa Junior, presidente da entidade, obtida por intermédio do senador eleito Magno Malta (PL)

O pastor é também um ferrenho apoiador de Bolsonaro. 

”É uma alegria pedir a vocês que ore pelo candidato ao governo do Espírito Santo, Manato, estaremos orando por ele, ore por ele, o apoie, vote nele e busque voto para ele. para que possamos ter alguém comprometido com princípios morais estabelecidos pela palavra de Deus", afirmou Costa Junior, em vídeo.

Manato é o candidato de Bolsonaro no estado.

Evangélicos que não ocupam o lugar de destaque no púlpito das igrejas também endossaram candidaturas nos últimos dias. E de forma surpreendente.

Capitã Estéfane (Patriota), vice-prefeita de Vitória, subiu no palanque de Casagrande. Além de aparecer ao lado do governador em um vídeo de divulgação, participou de um evento da campanha dele.

O prefeito da Capital, Lorenzo Pazolini (Republicanos), é opositor do governador. 

A capitã também é evangélica.

O mesmo vale para Tenente Andresa, que foi candidata a vice de Audifax Barcelos (este disputou pela Rede) no primeiro turno.

Para fechar, no domingo, a deputada federal Lauriete (PSC), não reeleita, também apoiou Casagrande publicamente.

Ela é cantora gospel e fiel da Assembleia de Deus da Praia da Costa. Uma curiosidade é que o pastor da igreja também foi candidato a deputado federal, com o nome de urna Pastor Marinelshington e filiado ao PL.

Marinelshington teve 6.518 votos e Lauriete, 25.586.

O pastor está, desde o primeiro turno, com Manato.

"Casagrande é um homem íntegro, trabalhador (...) cumpriu conosco o compromisso de manter nossas igrejas abertas (na pandemia). Casagrande tem sido um grande gestor, um gestor competente", afirmou Lauriete.

No primeiro turno, o PSC ficou oficialmente neutro, coligou-se apenas para eleger Erick Musso ao Senado, no que não foi bem sucedido.

No segundo, o presidente estadual da sigla, Reginaldo Almeida, está com Manato.

Ele é pastor e ex-marido de Lauriete, assim como Magno, outro apoiador do candidato do PL ao governo.

É, portanto, uma trama complexa.

E mais: Capitã Estéfane, Tenente Andresa e Lauriete são eleitoras de Jair Bolsonaro. O retrato de um palanque heterodoxo.

CRÍTICAS A MILITARES E À CANTORA

As três não passaram incólumes após subir no palanque do socialista. 

O próprio Manato encaminhou à coluna um vídeo que aponta contradições da militar que formou chapa com Audifax, destacando que ela disparou contra o governo (metaforicamente) no primeiro turno e, agora, elogia a gestão pelos mesmos pontos antes criticados.

Isso é comum no segundo turno. Antigos adversários se unem. Manato, além de Audifax, conta com Guerino Zanon (PSD) e Aridelmo Teixeira (Novo), que foram seus concorrentes na primeira etapa.

É verdade, entretanto, que os três não "foram pra cima" de Manato em nenhum momento. Todos se concentraram em Casagrande, que é o candidato da situação.

Já a motivação do apoio da Capitã Estéfane foi colocado em dúvida devido ao fato de a irmã dela ter ocupado um cargo comissionado no governo estadual.

O Portal da Transparência mostra que ela exerceu uma função comissionada na Vice-Governadoria apenas de abril a setembro de 2021, com um salário bruto de R$ 3.271,80.

Desde outubro do ano passado, a irmã da vice-prefeita de Vitória é soldado da Polícia Militar, foi aprovada em concurso.

Já Lauriete, nas redes sociais, foi atacada por, supostamente, endossar Casagrande em troca de cargo em um eventual próximo mandato do socialista.

Outras pessoas que perderam a eleição, como o também deputado federal Neucimar Fraga (PP), estão com Manato.

O candidato do PL já frisou que vai montar a equipe de acordo com critérios técnicos e não políticos. Ele aponta que Casagrande faz o contrário.

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