A senadora Rose de Freitas (MDB) participa de uma maratona de reuniões com caciques nacionais do próprio partido. Uma ala do MDB defende o apoio ao petista já no primeiro turno. Outra, que seja mantido o nome da senadora do Mato Grosso do Sul, Simone Tebet (MDB), e já há quem queira até a candidatura do ex-presidente emedebista Michel Temer.
A pré-candidata do MDB marcou 1% das intenções de voto no último Datafolha. Lula é o líder nas pesquisas e sempre contou com a simpatia do pessoal do MDB do Nordeste. Na terça (19), Rose compareceu ao escritório de Temer. Lá a principal discussão foi sobre adiar a convenção nacional do partido, marcada para o dia 27, e realizar o encontro somente no último dia permitido pela legislação eleitoral, 5 de agosto.
Até lá, há quem vislumbre a possibilidade de trocar o nome na cabeça de chapa, substituindo Tebet por Temer. Rose, no entanto, avalia que é tarde demais:
"Não tem sentido a uma semana da convenção ... Michel poderia ter sido (escolhido pré-candidato) lá atrás, ele estava à disposição. Agora, chamar ele na última hora? Ele pode passar a responsável por Bolsonaro vencer, olha que loucura, ou levar o Lula a ter que disputar um segundo turno".
"Estamos discutindo a viabilidade de uma candidatura (a de Simone Tebet) e aí pegamos um outro nome em exíguo tempo?", questionou.
A "solução Temer" não deve empolgar muito. O ex-presidente deixou o governo com 7% de aprovação e até os aliados dele lembram disso. Por outro lado, um terço dos diretórios do MDB já está com Lula.
Rose evita se comprometer. Diz apenas que, se o partido decidir caminhar com o petista, ela mesma também vai apoiá-lo. "Lógico, se for essa a posição do partido", afirmou.
Após o encontro, o senador Eduardo Braga (MDB-AM) disse que lideranças do partido de 11 estados, incluindo a parlamentar do Espírito Santo, defendiam o apoio a Lula já no primeiro turno.
Já a reunião com Temer tratou, principalmente, do adiamento da convenção nacional e do incômodo com o fato de ela ocorrer apenas virtualmente. "O partido nunca fez uma convenção remota e isso causou incômodo a muitas pessoas", resumiu Rose.
O MDB está dividido, não apenas quanto ao formato e a data da convenção, na qual deve ser batido o martelo sobre o destino do paritdo nas eleições deste ano. O racha na legenda, em meio às ameaças ao sistema eleitoral e à democracia perpretadas pelo presidente
Jair Bolsonaro (PL), ainda segundo a senadora, é o pior dos cenários.
ENQUANTO ISSO, NO ESPÍRITO SANTO
O mesmo disse Simone Tebet, em Vitória, na última sexta-feira. Aliás, partiu dela a confirmação de que o MDB está no palanque de Casagrande.