No primeiro turno da disputa pelo Palácio Anchieta, o governador Ricardo Ferraço (MDB) não declarou voto a nenhum candidato à Presidência da República e continua assim no segundo turno. Ele não vai escolher, publicamente, entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL).
Nesta sexta-feira (9), durante sabatina realizada por A Gazeta e Rádio CBN Vitória, entretanto, Ricardo fez algo inédito. Declarou ser de centro-direita e, por mais de uma vez, ressaltou: "Não sou uma pessoa de esquerda, mas sou uma pessoa do campo democrático".
O fato de o emedebista ser um homem de centro-direita é algo patente, considerando o histórico e o perfil dele, mas durante as eleições de 2026, até agora, Ricardo havia se furtado até mesmo a se autodeclarar dessa forma.
O esforço para não entrar em "brigalhada ideológica", expressão muito usada pelo governador, deixou-o muitas vezes, com a imagem de alguém em cima do muro.
O discurso mudou, mas só um pouco, neste segundo turno, quando o emedebista precisa virar o jogo contra o ex-prefeito de Vitória Lorenzo Pazolini (Republicanos) para se reeleger.
A comparação implícita, nesse caso, é evidente. Aponta que ao lado de Pazolini estão pessoas que não são do campo democrático. Integrantes do PL, como o próprio ex-presidente Jair Bolsonaro, foram condenados por tentativa de golpe de Estado.
Também atacam as urnas eletrônicas e o resultado do pleito, mas apenas quando estão perdendo.
O aceno de Ricardo é como quem diz: "Olha, gente, eu não sou de esquerda como vocês, mas pelo menos não sou golpista. É melhor votar em mim do que deixar Pazolini, aliado de Flávio, ganhar".
Só que o governador não falou isso com todas as letras. Ele também foi reticente quando questionado se pediria o apoio do PT estadual ou se entraria em contato com Helder Salomão, petista que recebeu 323.483 votos no primeiro turno.
No fim das contas, o PT decidiu não apoiar Ricardo. Apenas orientou os eleitores a não votar em candidatos apoiados por Flávio Bolsonaro. Ou seja, o Partido dos Trabalhadores orienta que seus apoiadores não votem em Pazolini.
Para atender ao pedido, os petistas poderiam votar em Ricardo, em branco ou nulo. Ou ainda nem comparecer às urnas. A abstenção, porém, prejudicaria também Lula e, como reeleger o presidente é a prioridade da sigla, a orientação é para ir às urnas.
Ao dizer que "não tem viés autoritário", o emedebista também sinaliza para a direita menos radical.
A Quaest mostrou, na véspera do primeiro turno, que Pazolini ganhou impulso, principalmente, entre os eleitores da direita não bolsonarista.
MDB-ES NEUTRO
O MDB-ES segue neutro na corrida presidencial. Dezessete diretórios estaduais decidiram apoiar Flávio, mas, de acordo com Ricardo, por aqui a sigla segue sem se posicionar:
"Exatamente assim. Nós vamos manter a nossa coerência, porque quando você disputa um cargo público, seja ele qual for, inclusive o cargo de governador, você precisa manter a sua coerência. A nossa coerência é fruto da convicção de que o governador do estado precisa unificar o estado, não precisa aprofundar as divisões. Uma casa dividida não prospera".
Um dos expoentes do voto RicaNaro, cabe lembrar, é o prefeito de Cariacica, Euclério Sampaio, que vem a ser também presidente estadual do MDB.
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