O salário não é revelado oficialmente, mas fica na casa dos R$ 20 mil, segundo a imprensa nacional, podendo chegar, em “ocasiões especiais”, a bem mais que esse valor. Não precisa sair de casa em casa pedindo votos; o mandato é longo (quatro anos) e não tem oposição institucionalizada para cobrar nada. E o resultado da gestão não precisa nem ser tão bom assim.
Chega de mistério: estamos falando da eleição para a presidência da Federação de
Futebol do Espírito Santo, que será realizada no dia 9 de junho. Um candidato pelo menos já está confirmado: é o atual presidente da FES, Gustavo Vieira, que tentará a reeleição para o cargo que ocupa desde 2015. A inscrição de chapas vai até 30 de maio.
Se vencer o pleito, Vieira ficará no comando da federação pelo menos de 2023 a 2027, ou seja, serão 12 anos de poder ininterrupto no comando do (combalido) futebol capixaba. O colégio eleitoral é formado por 33 clubes, associações e ligas com direito a voto.
A presidência da Federação de Futebol vai muito bem, obrigado, mas cercada por um futebol que vai muito mal. Os clubes capixabas, há anos, amargam a Série D do
Brasileirão; na Copa do Brasil, mal conseguem passar das fases iniciais da competição. O público, obviamente, continua afastado dos estádios.
E o salário do presidente da FES? Não é nada mal, ainda mais com a ajuda providencial da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), que costuma ser mais generosa com os aliados nos Estados quando a entidade vive períodos de sucessão em seu comando.
Aconteceu no ano passado. Segundo vários veículos da imprensa nacional, em agosto do ano passado a CBF passou de R$ 20 mil para R$ 50 mil a remuneração dos presidentes de federação pelo país afora. Não foi uma bondade gratuita: são esses dirigentes estaduais que votam na Assembleia Geral e nas eleições da CBF.
De acordo com reportagem do jornal O Globo, além do aumento dessa verba – apelidada de "mensalinho" pelos próprios cartolas que a recebem –, a CBF também reajustou o valor enviado para cada federação - de R$ 85 mil para R$ 100 mil por mês. O uso desse dinheiro é justificado como "fomento ao futebol nos Estados".
Reportagens na imprensa nacional mostraram que quando vieram à tona denúncias de assédio sexual contra o então presidente da CBF, Rogério Caboclo, o salário dos presidentes de federações estaduais chegou a saltar mais de dez vezes. Entre janeiro e dezembro de 2021, o salto foi de R$ 20 mil, no início do ano, para R$ 215 mil, no último mês de gestão do então chefão do futebol brasileiro.
Ou seja, para ter um maravilhoso salário como presidente de federação de futebol não precisa nem marcar gol; basta jogar na retranca para garantir o “bicho” (gordo). É ou não um emprego dos sonhos?