A boemia está de luto em Vila Velha. Reduto de
jogadores famosos, políticos e empresários e point da cerveja gelada e de tira-gostos inesquecíveis, o Barzito, instalado na
Praia da Costa desde 1977, não aguentou a crise provocada pela epidemia do novo coronavírus e fechou definitivamente suas portas.
Foi uma decisão muito difícil para o seu Washington Paiva, de 78 anos, o proprietário do bar. Seu Zito, como é mais conhecido, na realidade começou com o
BarZito em 1967, há 53 anos, na cidade Mutum, no interior de Minas. “Meu pai já pensava na aposentadoria e a pandemia acelerou o processo. Ela não queria parar, mas foi parado”, resume Fábio Paiva, filho do seu Zito e chef da cozinha do bar.
O BarZito era um botequim à moda antiga. Além da cerveja gelada e das batidinhas deliciosas, um dos carros-chefes da casa era o pastel conhecido como “delicinha”, nome dado pelos próprios frequentadores ao salgado com recheio de carne, queijo ou camarão.
Comida boa e bebida honesta ajudam, é claro, mas era o charme e o bom atendimento do Barzito que atraíam anônimos e famosos. Passaram pelas suas mesas e balcões jogadores como
Sávio, Daniel Alves, Edinho, Júnior, Branco e Cláudio Adão. O bar também atraía políticos, como
Luiz Paulo Vellozo Lucas, e empresários, como Lucas Izoton, ex-presidente da Findes.
“Mesmo sendo um botequim, os frequentadores sempre foram respeitosos entre si e com todo mundo que lá frequentava, de médico a gari”, elogia Fábio. “Nossos clientes sempre facilitaram o nosso trabalho, nunca misturaram as coisas, como política, negócio e até religião. Por incrível que pareça”, brinca.
Fechado há quase 100 dias, logo depois da entrada em vigor das medidas de
isolamento social por causa da pandemia de Covid, o Barzito não aguentou o peso de ficar tanto tempo parado. Os oito funcionários fixos e quatro temporários foram dispensados. “Não podemos mais trabalhar. E as despesas não são baixas”, lamenta Fábio.
Frequentador assíduo desde que o estabelecimento foi inaugurado, Lucas Izoton diz que o BarZito tinha algo especial: “Não era apenas um bar, um boteco onde os amigos e as pessoas tradicionais de Vila Velha se encontravam. O que tinha de especial era o próprio Zito e o filho dele, Fabinho, duas pessoas sensacionais”, reconhece. “O Zito com sua conversa de gente experiente desde Mutum, em Minas Gerais, e o Fabinho cada vez mais se capacitando como chef de cozinha para fazer pratos especiais.”
Izoton lamenta o destino do bar. “Boa parte da história de Vila Velha e diria até da política passou por aquele bar. É uma pena. Os capixabas, principalmente os moradores de
Vila Velha, vão sentir muita falta do BarZito.