O setor jurídico do Sindicato dos Ferroviários do
Espírito Santo e
Minas Gerais (Sindfer ES/MG) conseguiu na Justiça do Trabalho a reintegração, nesta semana, de mais um trabalhador demitido pela
Vale. Desde janeiro, é a 36ª reintegração judicial, em caráter liminar, de um empregado da mineradora.
Os desligamentos que são objeto de ação de reintegração na Justiça por parte do Sindfer atingem, preferencialmente, empregados com problemas de saúde, muitos dos quais com lesão tanto na coluna quanto nos joelhos e ombros, e que estavam em tratamento médico quando foram desligados.
Para o
presidente do Sindfer, Wagner Xavier, a alta incidência de lesões no ambiente de trabalho está diretamente associada à política de "hiperenxugamento do quadro de pessoal visando a maximização dos lucros".
Segundo o dirigente, a redução do número de empregados tem potencializado a incidência de lesões por esforço repetitivo além do suportável. “Tarefas antes divididas entre dois empregados, com as demissões passaram a ser exercidas por um único trabalhador”, denuncia. Segundo Wagner, as demissões têm ocorrido de forma generalizada e sistemática nas três diretorias da Vale: porto, pelotização e ferrovia.
Aos problemas de saúde de ordem física, de acordo com o sindicato, somam-se os abalos psicológicos vividos por empregados que trabalham sob a constante iminência de serem demitidos.
Procurada pela coluna, a empresa, por intermédio da sua assessoria de comunicação, disse que “a Vale não comenta processos judiciais em andamento".