Menos de uma semana depois de determinar à Câmara de Vereadores de
Jerônimo Monteiro que desocupe o prédio da prefeitura, o prefeito Sérgio Fonseca (PSD) vai agora enfrentar duas comissões de investigação que poderão levar à perda do seu mandato.
Nesta segunda (19), os vereadores aprovaram a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) e o recebimento da denúncia que pede a instauração de uma Comissão Processante (CP) - ambas têm o objetivo de investigar a administração do prefeito.
A admissibilidade da denúncia está sob análise da Procuradoria da Casa. Se instaurada, a CP pode levar à perda do mandato do prefeito. O colegiado vai investigar a condenação de Sérgio Fonseca por uso irregular de um dispositivo conhecido como “By Pass”, que resultou em sua condenação por furto de energia elétrica em sua propriedade rural.
A CPI, por sua vez, já foi instalada e vai apurar o suposto desvio de materiais de construção da Secretaria Municipal de Obras, que teriam sido utilizados em um esquema de compra de votos para favorecer o atual secretário da pasta, José Valério Binotti Neto, apontado como pré-candidato à sucessão de Sérgio.
A investigação contra o chefe do Executivo está no contexto de uma disputa política que atingiu seu auge na semana passada.
Conforme mostrou a coluna, o prefeito enviou um ofício ao presidente da Câmara, Wagner Ribeiro (PSB), determinando que o Legislativo desocupe, no prazo de 30 dias, o último andar da sede da prefeitura, sob pena de adoção de medidas judiciais. Segundo o parlamentar, a Casa ocupa o espaço há mais de 30 anos.
O vereador afirmou à coluna que ficou surpreso com a ordem de despejo, alegou que a Câmara Municipal não tem recursos para construir sua sede própria e que não há imóveis disponíveis em Jerônimo Monteiro para as necessidades da Casa. Ribeiro também acenou com a possibilidade de recorrer à Justiça para resguardar os direitos do Legislativo.
A coluna conversou com o prefeito Sérgio Fonseca. Ele afirmou que as comissões não fazem sentido: “Tudo porque doei meia dúzia de telhas para uma pessoa pobre que não tem onde cair morta. Se fosse caso de roubo, tudo bem, mas não fiz nada de errado”.
Indagado pela coluna se as duas comissões representam uma forma de retaliação devido à ordem de despejo, Fonseca afirmou: “Cem por cento de certeza”.
Ele, entretanto, não quis apontar o nome dos vereadores que estariam liderando essa retaliação: “Esses vereadores têm que trabalhar, têm que ajudar o próximo. Respeito a opinião deles, mas o eleitor vai dar o troco nas ruas”, vaticinou o prefeito.