Dados da
Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp) mostram que o Espírito Santo, no ano passado, teve mais municípios com registro de mortes no trânsito do que por homicídios. Dos 78 municípios do ES, em 50 (64% do total) o trânsito provocou mais óbitos.
Em uma cidade, particularmente, esse índice é espantoso e mostra o drama da violência do trânsito no Brasil. Segundo levantamento realizado pelo advogado criminalista e especialista em Segurança Pública Fábio Marçal, em Afonso Cláudio houve a maior diferença percentual de mortes, que foi de incríveis 1.100%. No cidade da
Região Serrana, ocorreram 12 mortes no trânsito contra um assassinato em 2023.
Os municípios com esses registros, além de Afonso Cláudio, foram: Águia Branca, Alegre, Alfredo Chaves, Alto Rio Novo, Anchieta, Apiacá, Aracruz, Atílio Vivácqua, Barra de São Francisco, Castelo, Colatina, Conceição da Barra, Conceição do Castelo, Divino de São Lourenço, Domingos Martins, Dores do Rio Preto, Ecoporanga, Governador Lindenberg, Guaçuí, Guarapari, Ibatiba, Ibiraçu, Ibitirama, Iconha, Itapemirim, Itarana, João Neiva, Laranja da Terra, Mantenópolis, Marechal Floriano, Marilândia, Mimoso do Sul, Montanha, Mucurici, Muniz Freire, Muqui, Nova Venécia, Pinheiros, Piúma, Ponto Belo, Presidente Kennedy, Rio Bananal, Rio Novo do Sul, Santa Leopoldina, Santa Teresa, São Mateus, Vargem Alta, Venda Nova do Imigrante e Viana.
Além de chamar atenção para o índice de
Afonso Cláudio, Marçal destaca outro exemplo. “É preciso entender que morte no trânsito é uma violência e uma violência gravíssima, porque ceifa vidas muito precocemente. Anchieta, por exemplo, não teve assassinatos, mas contabilizou 17 casos de mortes por incidentes nas vias. Isso é muito preocupante”, ponderou.
O advogado explicou que a tragédia fica potencializada em cidades com população acima de 100 mil habitantes. Segundo o estudo do especialista, Colatina teve 63 mortes precoces (28 homicídios e 35 mortes no trânsito); Aracruz, 48 (21 homicídios e 27 mortes no trânsito); e São Mateus, 85 (40 homicídios e 45 mortes no trânsito);
E as maiores vítimas da violência são os jovens. No ano passado, segundo informações da Sesp, o Estado registrou 825 mortes no trânsito e 976 homicídios dolosos, havendo 1.801 mortes precoces. “Média de quase cinco por dia, acumulando esses dois tipos de incidentes”, analisa Marçal.
Quanto às mortes no trânsito, o advogado pontuou que uma das principais causas está ligada a motocicletas e imprudência. Das 825 mortes no trânsito, 409 foram em cima de duas rodas. O especialista também destacou que as cidades com mais mortes no trânsito do que homicídios estão em áreas com estradas estaduais e federais e também onde há menor fiscalização.
Historicamente, as vítimas no trânsito têm faixa etária predominante dos 15 aos 44 anos. Para Marçal, é preciso colocar em prática o que diz a
legislação: educação no trânsito nas escolas, desde cedo, para evitar que mais vidas sejam perdidas tão cedo. “Isso é fruto de um trabalho longo, que vem da conscientização. É preciso educar bem na base para que tenhamos condutores bastante cientes de como devem se portar nas ruas e nas estradas”, recomendou.