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Leonel Ximenes

Pastor pode proibir eleitores de Lula de participar da Santa Ceia?

Evangélicos no ES comentam declarações polêmicas de um religioso paulista durante um culto

Públicado em 

16 ago 2022 às 16:33
Leonel Ximenes

Colunista

Leonel Ximenes

O pastor Rúben Oliveira Lima durante a pregação na sua igreja em Botucatu (SP)
O pastor Rúben Oliveira Lima durante a pregação na sua igreja em Botucatu (SP) Crédito: Reprodução do YouTube
O pastor Rúben Oliveira Lima, de uma denominação da Assembleia de Deus de Botucatu (SP), se sentiu no direito de escolher quem vai ou não fazer parte da Santa Ceia da sua igreja. Numa pregação que tem causado grande repercussão e polêmica, o líder religioso afirmou que os eleitores de Lula (PT) "não merecem tomar a Ceia do Senhor”.
"Eu ouço crentes dizendo: vou votar no Lula. Você não merece tomar a Ceia do Senhor se você continuar com esse sistema. Sistema que prega que vai ajudar aos pobres, mas no casamento dele não teve um pobre", disse.
Na mesma pregação, Rúben Lima afirmou que o candidato do PT é contra a Bíblia Sagrada e defende o aborto e, por esse motivo, ele “não aceita” que os fiéis que defendem o partido participem do rito religioso.
“Pelo amor de Deus, não tome Ceia. Não, não, senhor. A Ceia do Senhor é santa e o povo de Deus é santo. O povo de Deus não pode pactuar, irmãos. Não, senhores! Não, senhores! Em nome de Jesus, não façam isso [tomar a Ceia]”, exortou.
A coluna ouviu pastores e estudiosos evangélicos no Espírito Santo sobre a pregação do pastor de Botucatu. Todos condenaram as palavras do religioso.
“No Novo Testamento, a Ceia é a festa da graça e comunhão, símbolo do que Jesus fez por todos nós. Por isso, beira à blasfêmia separar quem é digno ou não por sua escolha política. Além de um desrespeito ao corpo de Cristo, torna o rito máximo da cristandade em instrumento da imposição de caprichos políticos e interesses pessoais”, analisa Kenner Terra, pastor e doutor em Ciências da Religião.
"A Ceia é para quem está em Cristo, seja ele eleitor de Lula, Bolsonaro, Ciro ou qualquer outro. Aliás, a Ceia não é para os que merecem. É exatamente o contrário: o quanto percebo minha indignidade, mais digno sou de participar"
Kenner Terra - Pastor  e doutor em Ciências da Religião
Para o jornalista José Caldas, membro da Igreja Batista da Praia do Canto e ex-vice-presidente da Juventude Batista Capixaba, as palavras do pastor Rúben configuram exemplo de corrupção no seu segmento religioso.
“Isto é o exemplo mais recente da grande corrupção que invade o meio evangélico. Desde quando um líder religioso é dono de um momento tão solene como esse, em memória de Jesus Cristo?”, questiona.
Para Caldas, há um desvirtuamento nas palavras do líder religioso paulista. “Se a Ceia é do Senhor, só me resta lamentar e defender o Evangelho raiz de Cristo. Bons tempos aqueles em que nossa arma era a Palavra, o poder que buscávamos vinha do alto e usávamos a força do argumento para levar as pessoas ao pé da cruz do Calvário e não ao Planalto", compara.
Pastor da Igreja Batista da Praia do Canto, Usiel Carneiro de Souza lembra que o sentido de Ceia cristã é outro. "A Ceia é um memorial. Ou seja, algo que fazemos para nos lembrar de alguém ou de alguma coisa. No caso, ela nos lembra Jesus e seu sacrifício por nós. A razão do sacrifício? Amor. Porque Deus nos amou Cristo veio a nós. E por nossas maldades ele foi crucificado. Fazer desse memorial um instrumento de coação é ultrajante."
"Há quem use a Ceia cristã como instrumento de punição - alguém taxado como transgressor é proibido de participar dela. Isso é bem comum, infelizmente. Mas é a primeira vez que vejo o uso dela como instrumento político-ideológico. Nem o texto bíblico, nem a tradição cristã inspiram tal ato. É teológica e intelectualmente desonesta esta atitude. Lamentável"
Usiel Carneiro de Souza - Pastor da Igreja Batista da Praia do Canto
Segundo o pastor Usiel, declarações como a do pastor de Botucatu podem servir a outros objetivos além do preceito religioso: "Infelizmente a religiosidade muitas vezes ultrapassa os limites e apodera-se daquilo que é maior que ela mesma e manipula, tornado o sagrado um objeto de suas pretensões".

Leonel Ximenes

Iniciou sua história em A Gazeta em 1996, como redator de Esporte e de Cidades. De lá para cá, acumula passagens pelas editorias de Polícia, Política, Economia e, como editor, por Esportes e Brasil & Mundo. Também atuou no Caderno Dois e nos Cadernos Especiais e editou o especial dos 80 anos de A Gazeta. Desde 2010 é colunista. É formado em Jornalismo pela Universidade Feedral do Espírito Santo.

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