Um aviso: não convidem Júlio D'Black para compromissos neste fim de semana. O motivo é nobre: o ritmista simplesmente vai desfilar em todas as sete escolas de samba do Grupo Especial, no sábado, no
Sambão do Povo, e em mais uma, na sexta, no Grupo de Acesso. Haja fôlego!
Fôlego que ele tem de sobra, sem precisar se submeter a nenhuma preparação especial para encarar duas noites consecutivas na avenida. “Só um pouco de descanso mesmo. Preciso apenas dormir bem e ter uma alimentação completa durante o dia. Gosto muito de pedalar e meu corpo está preparado para essa maratona”, avisa o sambista.
Percussionista de 34 anos de idade, Júlio D'Black mora no coração do Morro da Piedade, no
Centro de Vitória, terra de bambas. Apaixonado pelo samba e pelo carnaval, o músico que toca caixa, tamborim e timbal promete encantar o público e deixar sua marca na história do carnaval capixaba.
Mas maratonar nos desfiles das escolas de samba não é exatamente uma novidade para Júlio, embora nada se compare ao que ele vai fazer neste fim de semana na passarela do samba de Vitória. Em 2022, o músico desfilou em quatro escolas e, no ano passado, em cinco.
“Decidi desfilar em sete escolas neste ano porque meu corpo se comportou muito bem em 2023, ao final do último desfile. Desfilei na primeira, na terceira, na quarta, na quinta e na sexta escolas. Só não desfilei na primeira e na última, mas eu ainda peguei a pipoca da última”, conta o “fominha” percussionista.
Pensa que acabou? Mesmo depois dessa maratona, Júlio tinha outro compromisso com o samba: “Depois disso tudo, voltei para casa de boa, pedalando, cheguei em casa entre dez e nove da manhã, fui dormir e acordei às três da tarde porque ainda tinha ensaio do Maluco Beleza, que é o bloco em que sou mestre de bateria”.
A trajetória de Júlio no mundo do carnaval começou aos 10 anos de idade, quando despertou seu interesse pelas escolas de samba. Seu primeiro contato foi com o tamborim, improvisando os arranjos com "varinha de churrasco e latinha". Desde então, seu amor pela batida contagiante do samba só cresceu.
Começou sua história em 2006, desfilando pela primeira vez em alas, mas foi em 2011 que teve sua estreia na bateria da
Unidos da Piedade, sua escola de coração, onde completa uma década desfilando.
Júlio não é apenas um ritmista talentoso, ele também se destaca como um habilidoso criador de arranjos. Em 2017, tornou-se diretor de tamborim na Unidos da Piedade, trabalhando ao lado do Mestre Sapo. Sua paixão e dedicação o levaram a expandir seus horizontes, integrando-se a outras baterias, como a da Imperatriz do Forte.
Mesmo desfilando por diferentes agremiações, Júlio garante que não há espaço para ciúmes entre os ritmistas. “Todos compartilham um respeito mútuo, compreendendo que cada um representa sua escola de coração, mas também são profissionais comprometidos com a arte do samba.”
Na noite deste sábado (3), ele vai desfilar pela Novo Império, Jucutuquara, Boa Vista, MUG, Chegou O Que Faltava, Piedade e Pega No Samba. Um feito que demanda não apenas habilidade musical, mas também logística: Júlio terá um lugar reservado para suas fantasias e alimentação durante os intervalos dos desfiles, além da colaboração das escolas na troca de figurinos.
Na véspera, na sexta-feira (2), um aperitivo para a maratona do dia seguinte: Júlio desfilará por uma escola do Grupo B, a Mocidade da Praia, demonstrando sua paixão pelo samba e pelo carnaval.
Se depender de Júlio, o samba não vai morrer nunca. Ainda bem.