Formadas pelos ossos do pé e pelo fêmur da carmelita francesa que morreu no final do século 19, as chamadas relíquias de primeiro grau (por conter partes do corpo da santa), estão peregrinando por todo o país desde fevereiro e, neste sábado (6), chegam ao Carmelo São José, em
Cachoeiro de Itapemirim, onde permanecem em exposição até segunda-feira (8). A peregrinação nacional termina em outubro.
Na tradição católica existem também as relíquias de segundo grau (objetos de uso pessoal, a exemplo de roupas) e até de terceiro (objeto que foi tocado pelo santo ou pela santa).
É a quarta vez que a urna com as relíquias de primeiro grau vêm ao Brasil. A visita dos restos mortais da Doutora da Igreja ao Brasil ocorre no contexto da comemoração de dois jubileus, a celebração dos 150 anos do nascimento de Santa Teresinha, que foi comemorado em janeiro de 2023, e a festa dos 100 anos da sua canonização, que ocorrerá em 2025.
O relicário que leva o fêmur e os ossos do pé de Santa Teresinha foi uma doação de brasileiros ao Carmelo de Lisieux. Segundo a Ordem dos Freis Carmelitas Descalços no Brasil, na verdade há dois relicários doados pelo Brasil.
O primeiro foi em 1922, numa campanha de arrecadação organizada pelo jesuíta Herni Rubillon. Conhecido como “Relicário do Brasil”, permanece no Carmelo de Lisieux, cidade francesa onde viveu e morreu a santa, e é usado apenas internamente.
O segundo, chamado de “Relicário do Centenário”, também doação do povo brasileiro, é utilizado para as peregrinações pelo mundo afora e está sendo exposto nas duas cidades capixabas.
Conhecida popularmente como a santa das rosas, Santa Teresinha é considerada, pela
Igreja Católica, uma das maiores referências religiosas da atualidade, uma autêntica “santa dos tempos modernos”.
Thérèse Martin, seu nome de batismo, nasceu em 2 de janeiro de 1873 em Alençon, na França. Ela é a caçula de uma família de nove filhos, quatro dos quais morreram ainda jovens.
Ela entrou no Carmelo de Lisieux aos 15 anos e viveu uma vida de simplicidade, humildade e profundo amor a Deus. Sua espiritualidade, centrada na “pequena via” do amor e da confiança, inspirou milhões de pessoas ao redor do mundo.
Morreu muito jovem, aos 24 anos de idade, em 30 de setembro de 1897. Foi beatificada em 1923 e canonizada em 17 de maio de 1925 pelo papa Pio XI. Em 19 de outubro de 1997, Teresa de Lisieux foi proclamada Doutora da Igreja pelo papa São João Paulo II, devido aos seus escritos autobiográficos.