O granito (de excelente qualidade) extraído na região não está sendo forte o suficiente para impedir que
Barra de São Francisco ainda apresente altos índices de pobreza - 39% da sua população vive com apenas meio salário-mínimo de renda per capita por mês. Por isso, a prefeitura vai passar a distribuir, gratuitamente, itens de higiene pessoal, inclusive absorventes, para as mulheres de baixa renda da cidade.
Serão beneficiadas 15 mil mulheres, entre 12 e 45 anos de idade, com o Programa de Enfrentamento à Pobreza Menstrual, aprovado recentemente (por unanimidade) por meio de um projeto de lei, de autoria do Executivo, enviado à Câmara de Vereadores.
Para ter direito ao benefício, as mulheres terão que estar inscritas no Cadastro Único da Secretaria Municipal da Mulher, Habitação e Assistência Social, pasta a quem competirá a execução do programa. Essas mulheres, em fase reprodutiva, receberão absorventes, sabonetes e outros itens de higiene pessoal necessários para atravessarem o período de menstruação com dignidade.
“Pesquisa do
IBGE indicou que há 7,2 milhões de mulheres vivendo em situação de extrema pobreza no país. Isso, somado ao fato de que ainda temos uma população muito jovem, nos permite avaliar que a grande maioria dessas mulheres está em idade reprodutiva, podendo-se inferir que muitas delas vivenciam também a pobreza menstrual”, explicou o prefeito Enivaldo dos Anjos (PSD), que elaborou o projeto de lei inspirado pelas comemorações do Dia Internacional da Higiene Menstrual, celebrado todo dia 28 de maio.
A secretária municipal da Mulher, Shirley Teixeira Ribeiro, 43 anos, adianta que nesta semana deverão ser implementadas as primeiras medidas do programa de apoio às mulheres. A prefeitura vai levantar a demanda pelos materiais e fará em seguida a licitação para aquisição dos itens de higiene.
Barra de São Francisco tem 45 mil habitantes, dos quais cerca de 24 mil são mulheres. O prefeito calcula que pouco mais da metade delas serão beneficiadas pelo programa previsto em lei. Localizada na
Região Noroeste do Estado, a cidade teve uma grande evolução no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) nos últimos 30 anos: saltou de 0,400 para 0,683.
A mortalidade infantil, porém, ainda é considerada alta: 15,6 crianças por mil (antes de completar um ano de idade). Tem o 19º pior índice dentre os 78 municípios do Estado. Para efeito de comparação, Domingos Martins, na região das montanhas, tem apenas 3,96 óbitos de crianças de até 1 ano de idade por cada grupo de mil nascimentos.
A taxa de escolarização em Barra de São Francisco é de 96,2% da população de 6 a 14 anos de idade, mas a renda per capita é de R$ 19.565,00, deixando o município em 39º lugar no Espírito Santo neste quesito, apesar do grande desenvolvimento dos últimos 30 anos produzido pela indústria de rochas ornamentais.
Como de resto em todo o país, a riqueza existe em Barra de São Francisco. Mas está sendo apropriada por poucos. Muito poucos.