Um segredo é guardado a sete chaves nos bastidores da
Assembleia Legislativa do Espírito Santo: quantos cargos comissionados cada um dos 30 deputados tem na estrutura da Casa, aqueles controlados pela Mesa Diretora? A coluna descobriu a lista e revela os números e os "donos" das vagas.
Segundo a lista obtida pela coluna, são 323 cargos comissionados (312 ocupados atualmente), de livre indicação e ligados à mesa diretora, estrutura equivalente a uma empresa de porte médio (ou até grande, dependendo do setor da economia). Só que paga com o dinheiro do contribuinte. Essas funções estão divididas em quatro nomenclaturas no organograma da Ales: chefia, supervisor, assessor sênior e assessor júnior.
Os cargos denominados genericamente de “chefia” contemplam funções de coordenador especial, diretor e secretário. Este último representa a “elite”, o primeiro escalão da Casa: diretor-geral, procurador-geral, secretário de Comunicação Social, secretário-geral da Mesa e secretário de Gestão de Pessoas.
Toda essa estrutura está em disputa, e desta vez com uma novidade: os deputados estaduais que foram eleitos prefeitos -
Lorenzo Pazolini (Republicanos), Enivaldo dos Anjos (PSD) e Euclério Sampaio (DEM) - terão seus cargos redistribuídos entre os
suplentes que vão assumir e os demais parlamentares. Depende da força política que cada um terá a partir de fevereiro de 2021.
O campeão de cargos comissionados na estrutura da Casa é o próprio presidente da Assembleia, Erick Musso. O republicano tem nada menos que 58 cargos indicados na estrutura administrativa; é seguido por Enivaldo dos Anjos, eleito prefeito de Barra de São Francisco, que lidera um pequeno exército de 35 servidores comissionados.
O terceiro que mais detém cargos na Casa é também um prefeito eleito:
Euclério Sampaio, que vai comandar Cariacica a partir de 1º de janeiro, indicou 21 nomes, o mesmo número do seu aliado na eleição, Marcelo Santos (Podemos). Em quinto vem o republicano Dr. Hudson Leal, que bancou 16 aliados.
A lista de indicações prossegue com Rafael Favatto, do Patriota (com 15 cargos); Janete de Sá, do PMN (14); Alexandre Xambinho, do PL (13); e José Esmeraldo, que está sem partido (12), a mesma quantidade do tucano Pastor Mansur. O também tucano Vandinho Leite tem 11.
O emedebista Dr. Hércules tem nove, mesma quantidade de indicações de Raquel Lessa (Pros) e Pazolini, eleito prefeito de Vitória; Capitão Assumção, do Patriota, tem oito; Theodorico Ferraço, do DEM, indicou seis cargos comissionados.
Três parlamentares indicaram cinco comissionados, cada um, para ocupar cargos na estrutura da Assembleia: Delegado Danilo Bahiense (sem partido), Bruno Lamas (PSB) e Torino Marques (PSL). Curiosamente, o poderoso líder do governo, Dary Pagung (PSB), é padrinho de apenas três indicações.
Indicaram dois aliados: Carlos Von (Avante), Renzo Vasconcelos (PP), Marcos Garcia (PV) e Emílio Mameri (PSDB). Tiveram direito de nomear apenas um os seguintes deputados: Coronel Alexandre Quintino (PSL); Adilson Espíndula (PTB) e Iriny Lopes (PT).
Não têm indicações de cargos comissionados na estrutura da Casa três parlamentares: Luciano Machado (PV);
Fabrício Gandini (Cidadania) e Sérgio Majeski (PSB). A mesa diretora, sem especificação dos deputados patrocinadores, tem sete indicações. E sete cargos não estão com identificação dos parlamentares que o indicaram.
É preciso esclarecer que esses 312 cargos comissionados fazem parte apenas da estrutura administrativa da Assembleia. Não estão computados nessa relação os assessores de gabinete - cada parlamentar tem direito a até 19 auxiliares.
No total, a Assembleia tem 1.637 servidores ativos e inativos A folha salarial anual é de cerca de R$ 122 milhões. É muito poder concentrado que está em disputa na eleição da mesa diretora. E adivinha quem paga essa conta?