O ex-comandante-geral da PM coronel Laércio Oliveira, que saiu do posto quando eclodiu a greve dos militares, em fevereiro de 2017, é pré-candidato a uma vaga na Câmara dos Deputados.
Ele está inserido na disputa do Projeto Político-Militar (PPM), mecanismo pelo qual membros dos Bombeiros e da Polícia Militar definem quem serão os seus representantes de classe para o pleito de outubro próximo.
Ele disputa o apoio dos militares juntamente com o Tenente Assis (PTB), também postulante a uma candidatura à Câmara. Laércio é filiado ao Solidariedade, legenda que deverá estar junto com o PSB, na corrida pela reeleição do
governador Renato Casagrande.
Laércio é conhecido dentro da caserna da PM como o “comandante breve”, por ter ficado apenas 21 dias na função.O coronel assumiu o posto no dia 16 de janeiro de 2017, mas, no dia 6 de fevereiro daquele mesmo ano, foi substituído por Nylton Rodrigues na função, no meio da greve que deixou um saldo de mais de 200 de mortes e uma série de atos de indisciplina e insubordinação da tropa.
À ocasião, o então secretário de
Estado da Segurança Pública André Garcia frisou que a troca de comando foi necessária em função do quadro que se apresentava no Espírito Santo. Houve relatos de que o antigo comandante teria, supostamente, se recusado a determinar aos subordinados que retornassem às ruas, no movimento de 21 dias de paralisação que provocou o caos na segurança do Estado.
Atualmente na reserva remunerada da
Polícia Militar, o coronel Laércio Oliveira exerce, desde outubro do ano passado, o cargo de assessor especial na Secretaria da Casa Civil do Estado. Nesta função, ele recebe salário bruto de R$ 6.615,30.
Cabo Góes, que preside o Projeto Político-Militar, diz que todos os militares pré-candidatos a deputado federal e estadual se apresentaram voluntariamente para que seus nomes fossem apreciados, inclusive o coronel Laércio Oliveira.
A votação, por cédula, começou no dia 21 de março e se encerra nesta quinta-feira (31). O segmento vai escolher um candidato a federal e três a estadual para apoiar em outubro. Os três estaduais serão definidos regionalmente:
Grande Vitória, Sul e Norte do Estado.
“Não temos um posicionamento sindicalista, a gente quer apenas dialogar com outros setores da sociedade, ampliar a nossa representatividade'', explica o cabo, que afirma ainda que não há vetos a ninguém desde que o pré-candidato concorde com o termo de adesão do PPM. “Não temos posicionamento ideológico”, ressalta Góes.
Os atuais parlamentares militares não precisam se submeter à consulta informal do Projeto Político-Militar. “Os atuais já têm o nosso apoio. Por exercerem mandatos, eles têm condições maiores de se manter no mandato”, explica Goes, em referência ao deputado federal Da Vitória (PP) e aos estaduais Coronel Quintino e Capitão Assumção.