Enquanto grande parte da indústria cosmética mundial ainda depende de insumos derivados do petróleo e de matérias-primas importadas, uma startup capixaba está mostrando que a inovação pode nascer do reaproveitamento de resíduos agrícolas brasileiros.
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A startup B.Kemi desenvolveu uma tecnologia própria, atualmente em processo de patenteamento, baseada em química verde e economia circular. Diferentemente dos processos convencionais, a metodologia não utiliza madeira de eucalipto nem gera resíduos industriais agressivos ao meio ambiente. A matéria-prima vem do reaproveitamento integral da bananeira, uma das espécies mais presentes na agricultura do país.
“Criamos um protocolo próprio de produção. Aproveitamos tudo o que sobra da bananeira e transformamos esse material em biomateriais de alto valor agregado. Nosso diferencial está justamente em unir inovação, sustentabilidade e aproveitamento integral dos resíduos agrícolas”, explica Karla Feu, que ao lado de Roberta Tristão Pinto fundou a B.Kemi.
A startup química, por sinal, acaba de conquistar reconhecimento nacional ao obter o 3º lugar na categoria Sustentabilidade do Clean Beauty Awards, uma das premiações de maior relevância do setor de cosméticos naturais e sustentáveis, durante a Naturaltech, maior feira de produtos naturais, orgânicos e de bem-estar da América Latina, realizada na primeira quinzena de junho em São Paulo.
A premiação foi conquistada com o Muzie, um esfoliante 100% biodegradável desenvolvido a partir da casca de arroz e da microcelulose extraída da bananeira, tecnologia criada pela própria startup capixaba.
A fundadora da B.Kemi diz que o prêmio conquistado durante a Naturaltech representa a validação de uma tese construída ao longo dos últimos anos: transformar resíduos agrícolas em biomateriais de alta performance capazes de substituir ingredientes importados e derivados de petróleo utilizados pela indústria.
“O problema que enxergamos era muito claro. Grande parte das matérias-primas utilizadas pela indústria cosmética é derivada do petróleo e importada. Ao mesmo tempo, o Brasil é o país com a maior biodiversidade do planeta, mas ainda possui poucos produtores de matérias-primas sustentáveis. Queríamos criar uma alternativa feita aqui, utilizando recursos brasileiros e gerando impacto positivo”, afirma Karla Feu.
INDÚSTRIA COSMÉTICA E MINERAÇÃO
Atualmente, a startup atua em duas frentes principais: a Green Silk, celulose microfibrilada voltada para a indústria cosmética, e a Dust Less, solução natural para controle de poeira destinada ao setor de mineração.
Embora esteja iniciando sua fase comercial, a empresa já enxerga oportunidades além das fronteiras brasileiras. Durante a Naturaltech, a startup realizou contatos com potenciais clientes, investidores e parceiros estratégicos, além de apresentar sua tecnologia para alguns dos principais players do setor.
“Nossa matéria-prima foi muito bem recebida. Tivemos conversas com leads extremamente qualificados e parceiros estratégicos. Isso mostrou que existe mercado e interesse por soluções como a nossa”, afirma Karla. A expectativa é que os próximos anos sejam de expansão acelerada.
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