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Coluna Leonel Ximenes

Empresa capixaba transforma resíduos de bananeiras em cosméticos

Startup desenvolve tecnologia baseada em produtos naturais e aposta em mercado global de matérias-primas sustentáveis

Publicado em 03 de Julho de 2026 às 03:15

Públicado em 

03 jul 2026 às 03:15
Leonel Ximenes

Colunista

Leonel Ximenes

Resíduo de bananeira: matéria-prima de cosmético criado por startup capixaba
Resíduo de bananeira, que vira biomaterial de alto valor agregado Divulgação

Enquanto grande parte da indústria cosmética mundial ainda depende de insumos derivados do petróleo e de matérias-primas importadas, uma startup capixaba está mostrando que a inovação pode nascer do reaproveitamento de resíduos agrícolas brasileiros.


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A startup B.Kemi desenvolveu uma tecnologia própria, atualmente em processo de patenteamento, baseada em química verde e economia circular. Diferentemente dos processos convencionais, a metodologia não utiliza madeira de eucalipto nem gera resíduos industriais agressivos ao meio ambiente. A matéria-prima vem do reaproveitamento integral da bananeira, uma das espécies mais presentes na agricultura do país.


 “Criamos um protocolo próprio de produção. Aproveitamos tudo o que sobra da bananeira e transformamos esse material em biomateriais de alto valor agregado. Nosso diferencial está justamente em unir inovação, sustentabilidade e aproveitamento integral dos resíduos agrícolas”, explica Karla  Feu, que ao lado de Roberta Tristão Pinto fundou a B.Kemi.

Prêmio conquistado pela B.Kemi, categoria Sustentabilidade, no Clean Beauty Awards, em São Paulo
Prêmio conquistado pela B.Kemi, categoria Sustentabilidade, no Clean Beauty Awards, em São Paulo Divulgação

A startup química, por sinal, acaba de conquistar reconhecimento nacional ao obter o 3º lugar na categoria Sustentabilidade do Clean Beauty Awards, uma das premiações de maior relevância do setor de cosméticos naturais e sustentáveis, durante a Naturaltech, maior feira de produtos naturais, orgânicos e de bem-estar da América Latina, realizada na primeira quinzena de junho em São Paulo.

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A premiação foi conquistada com o Muzie, um esfoliante 100% biodegradável desenvolvido a partir da casca de arroz e da microcelulose extraída da bananeira, tecnologia criada pela própria startup capixaba.


A fundadora da B.Kemi diz que o prêmio conquistado durante a Naturaltech representa a validação de uma tese construída ao longo dos últimos anos: transformar resíduos agrícolas em biomateriais de alta performance capazes de substituir ingredientes importados e derivados de petróleo utilizados pela indústria.

Karla Feu (à esquerda) e Roberto Pinto, fundadoras da startup capixaba B.Kemi
Karla Feu (à esquerda) e Roberto Pinto, fundadoras da startup capixaba B.Kemi Divulgação

“O problema que enxergamos era muito claro. Grande parte das matérias-primas utilizadas pela indústria cosmética é derivada do petróleo e importada. Ao mesmo tempo, o Brasil é o país com a maior biodiversidade do planeta, mas ainda possui poucos produtores de matérias-primas sustentáveis. Queríamos criar uma alternativa feita aqui, utilizando recursos brasileiros e gerando impacto positivo”, afirma Karla Feu.

INDÚSTRIA COSMÉTICA E MINERAÇÃO

Atualmente, a startup atua em duas frentes principais: a Green Silk, celulose microfibrilada  voltada para a indústria cosmética, e a Dust Less, solução natural para controle de poeira destinada ao setor de mineração.


Embora esteja iniciando sua fase comercial, a empresa já enxerga oportunidades além das fronteiras brasileiras. Durante a Naturaltech, a startup realizou contatos com potenciais clientes, investidores e parceiros estratégicos, além de apresentar sua tecnologia para alguns dos principais players do setor.


“Nossa matéria-prima foi muito bem recebida. Tivemos conversas com leads extremamente qualificados e parceiros estratégicos. Isso mostrou que existe mercado e interesse por soluções como a nossa”, afirma Karla. A expectativa é que os próximos anos sejam de expansão acelerada.


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Leonel Ximenes

Iniciou sua historia em A Gazeta em 1996, como redator de Esporte e de Cidades. De la para ca, acumula passagens pelas editorias de Policia, Politica, Economia e, como editor, por Esportes e Brasil & Mundo. Tambem atuou no Caderno Dois e nos Cadernos Especiais e editou o especial dos 80 anos de A Gazeta. Desde 2010 e colunista. E formado em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo.

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