O povo de
Ecoporanga ficou sem a festa do Réveillon, vai ficar sem
Carnaval, mas o prefeito não ficará sem sua festa de 70 anos. Elias Dal’Col (PSD), longevo chefe político da região, está convidando o povo, em suas redes sociais, para comemorar suas sete décadas de vida neste sábado (15), às 18h, na quadra da Maçonaria da cidade.
E o aumento dos casos de Covid, provocado pela variante
Ômicron, que serviu de motivo até para cancelar a festa de Ano-Novo e a folia do Carnaval? Para Dal’Col, não há perigo: “Ficarão três pessoas na entrada da festa medindo a temperatura dos convidados. Quem não estiver com febre, entra, quem estiver, vai direto para o hospital”, sentenciou o prefeito reeleito, que se apresenta como vaqueiro profissional em suas redes sociais.
O prefeito diz que matou uma novilha (mas numa rádio local ele afirmou que matou cinco bois e vacas) e calcula que cerca de 300 pessoas devem comparecer ao rega-bofe, que terá também muita cerveja gelada, um item essencial na tórrida cidade do Noroeste do Estado que faz divisa com Minas Gerais e Bahia.
Não que a coluna queira estragar a festa de Sua Excelência, que exerce o seu terceiro mandato como prefeito, mas é necessário falar da pandemia. Em Ecoporanga, como no Espírito Santo e em todo o país, os casos vêm aumentando, principalmente em decorrência da variante Ômicron.
Para uma cidade de cerca de 23 mil habitantes, 4.046 já foram contaminados pela doença (um em cada cinco moradores, aproximadamente), há 20 casos ativos e 78 mortes já foram registradas. Mas parece que, para o prefeito, o vírus gosta de
Réveillon, gosta de Carnaval, mas não é muito chegado a uma festa de aniversário.
Aliás, Dal’Col vive numa realidade própria. Em contato com a coluna, ele enumera algumas estatísticas que não se sabe de onde vieram e reclama que “notícias boas não são divulgadas”: “Ecoporanga é um dos 500 municípios sem
corrupção no Brasil. A cidade está repleta de obras. Estou entre os prefeitos mais honestos do país”.
E arremata: “Sou um político honesto e que trabalha para o povo”. Pelo jeito, em Ecoporanga, além de faltar um controle sanitário mais rígido em algumas festas, falta também um pouco de modéstia em quem a governa.