Desde janeiro de 2026, está em operação um serviço de vigilância patrimonial contratado por comerciantes da Praia do Canto, bairro nobre de Vitória que sempre conviveu com ocorrências de arrombamento, principalmente durante a noite e a madrugada. E o resultado da mobilização, segundo a Associação Comercial e Empresarial da Praia do Canto (ACPC), está dando resultado.
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Segundo César Saade, presidente da ACPC, houve uma redução de mais de 90% nas ocorrências de arrombamento no bairro, mas principalmente nas ruas de maior fluxo comercial, o setor mais vulnerável aos arrombamentos.
Ele também diz que praticamente acabou a abordagem de moradores em situação de ruas e usuário de drogas nas portas de bares e restaurantes: "A gente consegue perceber a sensação de segurança, que é tão importante quanto a própria segurança"
Segundo Saade, 110 dos 400 comerciantes da Praia do Canto, entre donos de lojas, bares e restaurantes, são filiados à ACPC e bancam o sistema de segurança, além de mantenedores que fazem uma contribuição mensal. O empresário alega que não pode revelar o valor do custo mensal deste sistema de monitoramento por veículos.
A segurança patrimonial está a cargo de uma empresa especializada que utiliza dois veículos identificados na ronda noturna, que começa às 19h até as 7h da manhã, todos os dias da semana.
“Ao final de 2025, a nova diretoria da ACPC ouviu o comércio e as empresas do bairro, e a Segurança apareceu como a principal preocupação para a continuidade das atividades. Desde então, trabalhamos para estruturar uma solução com empresa parceira especializada, em apoio com a AMPC”, explica Saade.
É uma forma de aumentar a segurança no bairro num período que a gente não tem muitas atividades comerciais, mas a gente tem muito bandido rodando pelas ruas
César Saade Presidente da Associação Comercial e Empresarial da Praia do Canto (ACPC)
E apesar de Segurança ser dever do poder público, o presidente da associação, em entrevista ao jornal A Gazeta no último dia 23 de abril, afirmou que a iniciativa dos empresários não tem a intenção de “substituir” a ação do Estado.
“Ressalto que não estamos fazendo o papel do poder público. O que fazemos é onde não há braço pra chegar", destacou Saade.
A próxima etapa do projeto, explica o empresário, é implantar a ronda de segurança patrimonial durante as 24 horas do dia e ampliar as ruas que serão cobertas pelos veículos que fazem o monitoramento dos pontos comerciais da Praia do Canto. A data para essa ampliação, pondera Saade, depende do aumento da arrecadação de recursos financeiros da ACPC.
E fica a dúvida: até quando a sociedade terá que recorrer a empresas privadas para ter mais segurança, um direito garantido pela Constituição? E a grande maioria das pessoas, que paga seus impostos, mas não têm recursos para recorrer a entes privados de segurança, o que deve fazer para ter assegurado o seu direito?
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