Na homilia que proferiu durante a missa das pastorais sociais da Festa da Penha, na manhã desta segunda-feira (28), o padre Kelder Brandão afirmou que a Igreja não pode ficar indiferente ao sofrimento dos pobres e injustiçados e deve honrar o legado e a memória do
papa Francisco, que morreu no dia 21 e foi sepultado neste sábado (26).
“Por ser mãe, a Igreja não pode ignorar os sofrimentos dos seus filhos e filhas, condenados à pobreza e ao sofrimento, vítimas de injustiças, desigualdades sociais históricas e do racismo que impera no país”, enumerou o sacerdote, que presidiu a celebração da qual participaram muitos integrantes de movimentos sociais no campinho do Convento.
O padre citou, entre os que não podem ser esquecidos pela Igreja, os empobrecidos que moram nas periferias da Grande Vitória, as vítimas da violência doméstica e institucional, os moradores de ocupações rurais e urbanas, os que passam fome, os presidiários e as pessoas
LGBTQIA+, entre outras pessoas.
Brandão apontou suas críticas para integrantes da própria Igreja Católica: “Ela [a Igreja] não pode ser cúmplice silente das políticas higienistas propostas por prefeitos, vereadores e outros agentes políticos que se apresentam como cristãos católicos, mas disseminam o ódio e a aversão às pessoas em situação de rua e aos catadores de materiais recicláveis”.
Ainda sobre a Igreja, ele criticou o que chamou de vaidade de padres e de políticos: “Ela deve velar para que a fé, os espaços litúrgicos e as devoções populares não sejam instrumentalizados e que o altar e a mesa da Palavra não se transformem em palco ou palanque a serviço da vaidade de ministros ordenados e de políticos oportunistas, que se beneficiam da fé e da piedade alheia para ganhos próprios”.
Na homilia, o sacerdote, que é pároco da região de Itararé, em Vitória, lembrou também que a Igreja não pode negligenciar as condições dos encarcerados, que, segundo ele, têm seus direitos constantemente violados. E lembrou da época em que presos eram confinados em condições desumanas no Espírito Santo.
“É inadmissível que condenados pela Justiça, sob a tutela do Estado, sejam assassinados e enterrados nas hortas dos presídios. Não podemos retroceder à era das masmorras capixabas, quando pessoas eram esquartejadas ou depositadas em contêineres”, alertou.
Sobre o mundo novo anunciado no cântico que brota do coração e dos lábios de Maria e no Evangelho de Lucas, o padre destacou a pluralidade: “É um mundo a ser construído por pessoas que amam a diversidade da vida humana e não humana, tecida por Deus de diferentes formas e cores, que habitam a mesma casa - nosso planeta, a Terra, casa comum de todos os seres viventes”.