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Caio Neri

Qualidade de vida no IPS: o que está acontecendo com Vitória?

Mais do que um simples número, o IPS traduz algo que a população sente há anos, a percepção gradual de perda da qualidade de vida

Publicado em 29 de Maio de 2026 às 04:45

Públicado em 

29 mai 2026 às 04:45
Caio Neri

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Caio Neri

Vitória ostenta um dos metros quadrados mais caros do Brasil e também convive com uma das cestas básicas mais caras do país, realidade que pesa diariamente no orçamento das famílias. 


Em suma, o custo de vida aqui é alto se comparado ao das demais capitais. Assim, morar em Vitória tornou-se privilégio para poucos. O problema é que o alto custo de vida já não encontra correspondência proporcional na qualidade dos serviços e indicadores sociais oferecidos à população.


Os dados mais recentes do Índice de Progresso Social (IPS) revelam justamente esse descompasso. A capital capixaba figura na 4ª posição no ranking capixaba e apenas na 15ª colocação entre as capitais brasileiras. 

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Embora continue sendo uma cidade com importantes virtudes urbanas, Vitória aparece em posição incompatível com o padrão econômico que exige de seus moradores. Para uma cidade tão cara, esperava-se um desempenho social muito mais elevado.


O IPS é um indicador que vai além da mera aferição de renda e mede o bem-estar efetivo da população. Por isso, avalia outras dimensões como necessidades humanas básicas, captando justamente aquilo que a população sente no cotidiano. 


Mais do que um simples número, o IPS traduz algo que a população sente há anos, a percepção gradual de perda da qualidade de vida. O trânsito piorou, o acesso à moradia tornou-se mais difícil (sobretudo pelos números que colocam Vitória como um dos metros quadrados mais caros do país), o custo dos serviços disparou e muitos cidadãos já não enxergam na capital capixaba o mesmo equilíbrio urbano que fez de Vitória uma referência nacional em décadas passadas.


O cenário ganha ainda mais simbolismo quando se lembra que Vitória perdeu para a Serra a posição de município com maior PIB do Espírito Santo, posto historicamente associado à capital. 


Evidentemente, isso não significa decadência econômica automática, mas é um indicativo relevante sobre transformações em curso, sobre a necessidade de repensar prioridades. Crescimento econômico precisa caminhar a par do progresso social.

Vista aérea de Vitória e, aos fundos, Vila Velha Divulgação

Não se trata de procurar culpados fáceis. Os desafios urbanos são complexos e atravessam diferentes gestões, conjunturas econômicas e mudanças sociais. Por outro lado, não é possível ignorar que os indicadores sociais dependem diretamente de decisões políticas. Planejamento urbano, mobilidade, segurança, educação, saúde, habitação e desenvolvimento econômico não melhoram espontaneamente.


Vitória continua sendo uma cidade com enorme potencial. Tem localização estratégica, riqueza econômica, belezas naturais e capital humano qualificado. Porém, quando o custo de vida cresce mais rapidamente do que a sensação de bem-estar da população, surge uma pergunta inevitável: onde estamos errando?


Talvez o maior mérito do IPS seja justamente esse: o de levar a sociedade e o poder público a confrontarem a distância entre a cidade cara que Vitória se tornou e a cidade desenvolvida que ela precisa voltar a ser. Uma cidade com qualidade de vida precisa ser boa para todos.

Caio Neri

É graduado em Direito pela Ufes e assessor jurídico do Ministério Público Federal (MPF). Questões de cidadania e sociedade têm destaque neste espaco.

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