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Leonel Ximenes

23 comunitários e 1 público: sobram cemitérios em pequeno município do ES

Em alguns desses locais não se registram sepultamentos há mais de meio século

Publicado em 30 de Outubro de 2026 às 03:15

Públicado em 

30 out 2026 às 03:15
Leonel Ximenes

Colunista

Leonel Ximenes Leonel Ximenes
Cemitério de Sagrada Família, um dos comunitários de Alfredo Chaves
Cemitério de Sagrada Família, um dos comunitários de Alfredo Chaves Divulgação

Com cerca de 14 mil habitantes, Alfredo Chaves se destaca no Espírito Santo por um dado curioso: o município do Sul do Estado tem 23 cemitérios comunitários e apenas um público (na sede), o que dá uma média de um “campo santo” para cada 584 pessoas.


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A presença dos cemitérios comunitários, todos localizados no interior de Alfredo Chaves, está relacionada à formação histórica do município e à influência dos imigrantes italianos, que ajudaram a estruturar diversas comunidades do interior. 


Segundo a pesquisadora e escritora Penha Franzotti Donadello, era comum que as famílias priorizassem a construção de uma pequena igreja e, ao lado ou atrás dela, um cemitério. “Para essas famílias, a igreja era o centro da vida social e espiritual, enquanto o cemitério atrás do templo representava a continuidade da fé além da morte”, explica.

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A pesquisadora destaca que a proximidade entre a igreja e o cemitério tinha um significado religioso importante para aquelas famílias, que acreditavam que sepultar seus entes queridos perto do templo os mantinha próximos de Deus e sob as bênçãos da missa.


“Hoje, esses pequenos cemitérios espalhados pelas comunidades de Alfredo Chaves guardam não apenas os restos mortais, mas os sobrenomes e a história de coragem dos nossos antepassados”, ressalta.

HISTÓRIA PRESERVADA

Alguns cemitérios do município são seculares e preservam registros de diferentes gerações, ajudando a contar a história das famílias e das localidades. Um exemplo curioso é o cemitério da comunidade de São Pedro de Matilde, onde, conforme relatos locais, o último sepultamento ocorreu há mais de 50 anos.

Membros da comunidade limpam o Cemitério de Ribeirão do Cristo para receber os visitantes no Dia de Finados
Membros da comunidade limpam o Cemitério de Ribeirão do Cristo para receber os visitantes no Dia de Finados Divulgação

Nas comunidades do interior, os próprios moradores cuidam e administram esses espaços, em um trabalho que contribui para a conservação dos locais e para a preservação de uma tradição transmitida entre gerações.


Na comunidade de Redentor, no distrito de Urânia, segundo contam moradores locais, o cemitério não existe mais, apenas resquícios dele, que foi um dos primeiros construídos na região, por volta de 1845, antes mesmo da chegada dos primeiros imigrantes italianos.

OS CEMITÉRIOS COMUNITÁRIOS DE ALFREDO CHAVES

  • Sagrada Família

  • Quarto Território

  • Rio Veado

  • São Francisco de Batatal

  • Nova Mantua

  • Nova Estrela

  • São João de Crubixá

  • São Sebastião

  • Duas Pontes (Santa Maria Madalena)

  • Santo Antônio de Ibitiruí

  • Santa Maria do Engano

  • Santa Luíza do Ipê

  • Matilde

  • São Pedro de Matilde

  • Carolina

  • Vila Nova de Maravilha

  • Santo André

  • São Marcos

  • Iriritimirim

  • São Martinho

  • Ribeirão do Cristo

  • Aparecida

  • São Bento de Urânia

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Leonel Ximenes

Leonel Ximenes Leonel Ximenes

Iniciou sua história em A Gazeta em 1996, como redator de Esporte e de Cidades. De lá para cá, acumula passagens pelas editorias de Polícia, Política, Economia e, como editor, por Esportes e Brasil & Mundo. Também atuou no Caderno Dois e nos Cadernos Especiais e editou o especial dos 80 anos de A Gazeta. Desde 2010 é colunista. É formado em Jornalismo pela Universidade Federal do Espírito Santo.

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