Sair
Assine
Sair
Entrar

Recuperar senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Cadastrar nova senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Léo de Castro

Onde está o incentivo a quem produz no Brasil?

Cada vez mais jovens talentosos direcionam seus esforços para concursos públicos, enquanto o empreendedorismo e a atividade produtiva se tornam opções menos atrativas

Publicado em 21 de Junho de 2026 às 04:00

Públicado em 

21 jun 2026 às 04:00
Léo de Castro

Colunista

Léo de Castro

Um levantamento recente da Receita Federal divulgado pela imprensa mostrou que as ocupações com maiores rendimentos médios no Espírito Santo estão concentradas em carreiras públicas. A média chega a R$ 41 mil e a realidade não se restringe ao Estado: em praticamente todo o país, as carreiras mais disputadas e mais bem remuneradas costumam estar ligadas ao setor público.


Podemos argumentar que muitas dessas funções exigem elevada qualificação técnica, grande responsabilidade institucional e processos seletivos altamente competitivos. Ocorre que o problema não está na simples existência dessas carreiras: está na mensagem que o arranjo institucional e econômico do país transmite para a sociedade, especialmente os mais jovens.


A pergunta que deveríamos fazer é: quais incentivos estamos oferecendo às novas gerações? Quem é estimulado a empreender, correr riscos, gerar riqueza, empregos e impostos? Quem, em resumo, vai financiar a máquina pública para que o Estado funcione?

Veja Também 

Imagem de destaque

Cai o número de jovens que não trabalham e não estudam no ES

Finanças, investimentos, dinheiro, planejamento financeiro

Estudo mapeia R$ 30 bilhões em oportunidade de investimentos no ES

De um lado, observamos carreiras públicas com estabilidade, remuneração elevada e previsibilidade de longo prazo. De outro, encontramos um ambiente econômico marcado por juros de 14,25 % ao ano, com elevada carga tributária, insegurança regulatória, excesso de burocracia e um custo de capital que penaliza quem deseja empreender, investir ou ampliar a produção. É o chamado Custo Brasil.


O resultado é previsível. Cada vez mais jovens talentosos direcionam seus esforços para concursos públicos, enquanto o empreendedorismo e a atividade produtiva se tornam opções menos atrativas. Onde está o incentivo a quem produz? O sonho de um filho empreendedor, onde foi parar?


O sonho americano, ou o american dream, todos conhecem: é a crença de que todos podem prosperar com base no trabalho duro. O sujeito começa vendendo sanduíche na rua e depois cria uma rede de fast food. 

Empreendedorismo, mercado, negócios
Empreendedorismo Pixabay

E no Brasil, qual é a cultura? O jornalista Paulo Francis, que morava em Nova York, ironizava o atraso do nosso capitalismo dizendo que o sonho brasileiro é um emprego público de meio-dia às seis e praia de manhã. Francis morreu há quase 30 anos e a ironia continua atual.


Não se trata aqui de uma crítica generalizada ao serviço público, mas sim de uma reflexão sobre os sinais emitidos pelas instituições e pelo próprio sistema econômico do Brasil.

Países que alcançaram elevados níveis de desenvolvimento construíram ambientes capazes de valorizar a inovação, o investimento produtivo, a pesquisa tecnológica e a criação de empresas competitivas. 


Os Estados Unidos, por exemplo, lideram programas bilionários de fortalecimento industrial e estimulam o empreendedorismo na escola. Eles construíram um ambiente cultural, institucional e econômico totalmente favorável à livre iniciativa. 


A China, a partir de uma mudança radical de mentalidade promovida no fim dos anos 70 por Deng Xiaoping, passou também a estimular a livre iniciativa. A tese central era a seguinte: se você consegue produzir, exportar, gerar empregos, trazer tecnologia ou aumentar a renda da população, o Estado deve ajudar e não atrapalhar. 


Essa história é bem contada no livro “A China Sacode o Mundo”, do jornalista britânico James Kynge, que foi correspondente no país por quase vinte anos. A partir dos anos 70, o governo chinês criou zonas econômicas especiais, flexibilizou regras para pequenos negócios, permitiu iniciativas privadas e passou a premiar dirigentes locais do Partido Comunista que atraíssem investimentos. É atribuída a ele a frase: "Enriquecer é glorioso" – lição aprendida mesmo pelos comunistas. O resultado todos conhecemos.

Veja Também 

Imagem de destaque

O Brasil que se ilude com os números

O ministro da Fazenda, Dario Durigan durante assinatura da Medida Provisória referente ao Novo Desenrola Brasil

Desenrola, Brasil: o país merece competência

Imagem de destaque

O último ato de Lula: abrir mão da disputa

Enquanto isso, convivemos no Brasil com uma realidade bem diferente. A busca por riqueza parece girar em torno do Estado, não do mercado. O governo e o Congresso Nacional multiplicam os gastos com seguidos benefícios eleitoreiros, ampliando a dívida pública e pressionando os juros, como se não houvesse limite fiscal. 


A máquina pública, de um lado, parece capturada por interesses corporativos e pela classe política dirigente e, por outro, pelo sistema financeiro, que se beneficia do serviço da dívida e das altas taxas de juros que inibem o investimento produtivo. Parece que fazemos tudo para coibir o empreendedorismo. É o Deng Xiaoping ao contrário.


O debate nem é exatamente uma oposição entre Estado e mercado. Toda sociedade precisa de instituições públicas fortes e de servidores qualificados. A questão é encontrar equilíbrio: um país não prospera apenas administrando riqueza. Ele precisa produzi-la! Alguém precisa pagar essa conta, que não está fechando. Precisamos urgentemente de uma cultura empreendedora, que valorize quem produz.

Léo de Castro

Empresário, vice-presidente da CNI e presidente do Copin (Conselho de Politica Industrial da CNI). Foi presidente da Findes. Neste espaço, aborda economia, inovação, infraestrutura e ambiente de negócios

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Taxa Selic
Os juros caíram. Será que isso é mesmo uma boa notícia?
Imagem de destaque
Redução da maioridade penal: o que importa é obter votos
Lara Brotas, Taiza Ammar, Rodrigo Hipólito, Rosana Paste , Sandra Matias e Lando
Exposição reúne trabalhos inéditos de artistas capixabas em Vitória; veja fotos

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados