Doutor em Doenças Infecciosas pela Ufes e professor da Emescam. Neste espaço, faz reflexões sobre saúde e qualidade de vida

Sobre Mounjaro, demência, genética... as melhores pesquisas científicas do ano

A importante revista da Associação Médica Americana pediu aos principais editores do jornal que listassem quais as mais importantes pesquisas publicadas na Jama de outubro de 2024 a setembro de 2025

Publicado em 01/01/2026 às 05h00

Chega ao fim o ano de 2025. São comuns balanços nesta época do ano. A importante revista da Associação Médica Americana pediu aos principais editores do jornal que listassem quais as mais importantes pesquisas publicadas na Jama de outubro de 2024 a setembro de 2025. Vamos dividir com você, prezado leitor ou leitora, os achados dessas pesquisas, em duas crônicas nas próximas semanas.

No final de agosto foi publicado um estudo que acompanhou mais de 58 mil participantes, de 2018 a 2024, com insuficiência cardíaca, com fração de ejeção preservada. Essa já é a mais comum forma de insuficiência cardíaca ligada ao aumento da incidência de obesidade e diabetes tipo 2.

Pois os agonistas de GLP1, semaglutida (Ozempic) e tirzepatida (Mounjaro), mostraram risco 40% menor de hospitalização por insuficiência cardíaca ou mortalidade por todas as causas do que o grupo controle em uso de outro medicamento antidiabético. São benefícios adicionais extraordinários das chamadas “canetas emagrecedoras", que só não se tornaram mais populares em razão do custo.

Mounjaro, medicamento injetável para tratamento de diabetes tipo 2
Mounjaro, medicamento injetável para tratamento de diabetes tipo 2. Crédito: Divulgação / Eli Lilly

Em abril, foi publicado um estudo observacional envolvendo mais de 100 mil pessoas na Austrália, mostrando que a vacina de herpes-zóster estava associada à redução do risco de demência. Cientistas já estudavam o papel que os vírus neurotrópicos, como o herpesvirus, poderiam ter no desenvolvimento de demência. Neste ano, diversos outros estudos realizados em outros países têm demonstrado papel protetor da vacina para herpes, que assim traria um benefício bônus, alem de proteger contra a doença zóster.

Em outubro, foi publicado um estudo acompanhando 4 mil recém-nascidos em seis hospitais na cidade de Nova York. O estudo chamado Guardian (Guardião) fez sequenciamento genético do DNA dos recém-nascidos, com a capacidade de detectar precocemente milhares de doenças genéticas em vez das dezenas que os testes tradicionais detectam.

Foi possível identificar precocemente alterações de risco em 120 bebês (3%), entre os quais somente 10 seriam identificados pelos testes de rastreamento tradicionais. Inúmeras crianças foram salvas com terapias precoces. A pesquisa continua em Nova York e pretende atingir 100 mil recém-nascidos.

No final de julho, foi publicado o estudo Pointer que envolveu 2,1 mil adultos idosos nos EUA com risco de declínio cognitivo e demência, divididos em dois grupos. Ambos os grupos foram orientados a aumentar atividade física e cognitiva, monitorar cuidadosamente a saúde cardiovascular e incentivados a engajamento social mais ativo.

No entanto, um grupo foi deixado a seguir por conta própria às orientações recebidas, enquanto o outro envolvia um monitoramento constante e supervisionado das recomendações recebidas. Ambos os grupos tiveram ganhos cognitivos (inclusive aqueles com fatores genéticos de risco para Alzheimer), mas o grupo com supervisão constante evoluiu muito melhor.

Um estudo similar já havia sido desenvolvido na Finlândia, o FINGER, mostrando que intervenções multimodais no estilo de vida tem o potencial de prevenir o declínio cognitivo. Na Finlândia, pessoas com 60-77 anos desenvolveram um programa de dois anos com uma dieta balanceada baseada nas recomendações de nutrições nórdicas, atividade física monitorada, estimulação e treinos cognitivos, interação social e monitoração da saúde cardiovascular regular. Os pesquisadores observaram uma performance cognitiva 25% melhor que o grupo controle. Novidades continuam em duas semanas. Até lá!

Este texto não traduz, necessariamente, a opinião de A Gazeta.

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