Karina Mazzini é dermatologista, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia com mais de 30 anos de experiência. Neste espaço vai trazer para os capixabas as maiores novidades e tendências da área da saúde e beleza.

Veja o que acontece com a pele ao usar medicamentos injetáveis

A perda de peso acelerada, especialmente quando ocorre de forma expressiva em um curto intervalo, impacta diretamente o tecido cutâneo.

Vitória
Publicado em 05/03/2026 às 18h46
O uso do cigarro pode prejudicar a saúde da pele (Imagem: puhhhna | Shutterstock)
Quando o processo é rápido demais, o corpo emagrece, mas a pele nem sempre acompanha no mesmo ritmo. Crédito: Imagem: puhhhna | Shutterstock

Os dois últimos anos ficaram marcados pelo avanço dos medicamentos injetáveis para emagrecimento, que rapidamente se tornaram parte do cotidiano de milhares de pessoas. O que começou como uma ferramenta médica para controle glicêmico em pacientes com diabetes tipo 2 ganhou maior visibilidade por um efeito colateral desejado: a perda de peso significativa.

A perda de peso acelerada, especialmente quando ocorre de forma expressiva em um curto intervalo, impacta diretamente o tecido cutâneo. Isso porque a pele tem uma capacidade limitada de retração, que depende de fatores como idade, genética, reserva de colágeno e estilo de vida.

Quando o processo é rápido demais, o corpo emagrece, mas a pele nem sempre acompanha no mesmo ritmo.

O resultado mais comentado é o chamado “rosto de Ozempic”, expressão popularizada para descrever a aparência de flacidez facial que pode surgir após a redução brusca de gordura. Mas, na prática clínica, vemos um fenômeno mais amplo: flacidez corporal, perda de contorno, aparência mais cansada e, às vezes, a percepção de um envelhecimento acentuado - não causado pelo medicamento em si, e sim pelo ritmo da transformação metabólica.

É importante reforçar que esses efeitos não significam que há algo errado com o tratamento, tampouco invalidam sua utilidade médica. Eles apenas mostram que, assim como a endocrinologia e a nutrição acompanham o processo internamente, a dermatologia tem um papel essencial no cuidado externo, ajudando a preservar estrutura, elasticidade e saúde da pele durante as fases de mudança corporal.

Outro ponto fundamental é que muitas pessoas associam emagrecimento a “rejuvenescimento”, quando, biologicamente, pode ocorrer exatamente o oposto. A gordura facial, por exemplo, é uma das principais responsáveis por manter traços jovens; perdê-la rapidamente pode evidenciar sulcos, olheiras e áreas de queda natural da face.

Atualmente, discutimos cada vez mais a necessidade de um olhar integrado para saúde, estética e envelhecimento. O uso de medicamentos como o Mounjaro deve vir acompanhado de orientações personalizadas, para que a pele seja cuidada com a mesma atenção que o corpo recebe por dentro.

O futuro da dermatologia - e também da gestão do peso - está no equilíbrio. Não se trata apenas de emagrecer, mas de manter o bem-estar físico, emocional e estético durante todo o processo. E isso passa por informação, acompanhamento médico e decisões guiadas pela ciência, não pelas tendências.

Este texto não traduz, necessariamente, a opinião de A Gazeta.

A Gazeta integra o

Saiba mais
Saúde Beleza

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rápido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem.

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta.