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Coronavírus

Escalada da Covid-19 no Espírito Santo está bem visível

A propagação do coronavírus não para de crescer no Espírito Santo. Há um mês, a quantidade de casos se aproximava de 10 mil e hoje é quatro vezes maior. No curto prazo, o alerta ainda é: fique em casa e mantenha o distanciamento social

Publicado em 26 de Junho de 2020 às 05:00

Públicado em 

26 jun 2020 às 05:00
José Carlos Corrêa

Colunista

José Carlos Corrêa José Carlos Corrêa
Vitória - ES - Sepultamento de vítima da covid-19 no cemitério Boa Vista, em Maruípe.
Sepultamento de vítima da Covid-19 no cemitério Boa Vista, em Maruípe Crédito: Vitor Jubini
A notícia parece – e é – auspiciosa, mas o sinal de alerta continua ligadíssimo no Espírito Santo: a taxa de contágio da Covid-19 (a quantidade de pessoas que um doente pode contaminar) caiu de 3,78 em abril para 1,62 em junho, mas esse índice é maior que a média nacional (1,3). E mais: o Espírito Santo está entre os dez Estados com maior taxa de incidência da doença no país (645 infectados a cada 100 mil habitantes), taxa essa que é a maior entre os Estados da Região Sudeste, e superior às do Rio de Janeiro (446) e São Paulo (376).
Basta verificar o índice de contaminados e de mortes decorrentes do coronavírus para constatar que o Espírito Santo está entre os Estados que têm o risco mais alto. Os dados dessa semana mostram 1.387 casos na segunda-feira, 1.178 terça-feira e 1.258 na quarta-feira (24). A quantidade de mortes foi recorde na segunda-feira (59) e muito alta na terça (45) e na quarta (31). Com isso, o Estado atingiu as impressionantes marcas de mais de 38 mil infectados e quase 1,5 mil mortos.
A propagação do coronavírus não para de crescer no Espírito Santo. Há um mês, a quantidade de casos se aproximava de 10 mil e hoje é quatro vezes maior. Era raro o dia em que o número de mortes ultrapassava a dez; atualmente, nossa média é três vezes maior. O índice de ocupação de leitos de UTI comprova a gravidade da situação: 81,7% desses leitos estão ocupados, índice que, no pior momento, no início de junho, já chegou a 89%. São dados eloquentes que não dão margem a imaginar que já ultrapassamos o pico da pandemia.
Essas constatações são importantes de serem repisadas para alertar a população sobre o comportamento a adotar nos próximos dias e semanas. Está cada vez mais evidente a percepção generalizada de que o pior já passou, o que não corresponde à verdade dos fatos. A taxa de isolamento social continua caindo e boa parte da população tem relaxado nos cuidados mais elementares como o uso de máscara e a exposição a aglomerações.
Felizmente, o governo do Estado tem sido precavido com relação à liberação das atividades não essenciais. É compreensível a ansiedade de empresários e trabalhadores em retornar ao trabalho, mas é preciso cautela para que esse retorno se dê sem resultar em maior propagação da doença. O exemplo do Rio de Janeiro está próximo de nós: o afrouxamento da quarentena provocou um imediato aumento de casos de contágio e de mortes.
A queda na taxa de contágio é um sinal positivo de que há uma tendência de estabilização da doença no médio prazo. Mas no curto prazo o alerta ainda é: fique em casa e mantenha o distanciamento social até que, de fato, a tempestade venha a passar.

José Carlos Corrêa

José Carlos Corrêa José Carlos Corrêa

É jornalista. Atualidades de economia e política, bem como pautas comportamentais e sociais, ganham análises neste espaço

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