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É jornalista. Atualidades de economia e política, bem como pautas comportamentais e sociais, ganham análises neste espaço. Escreve às sextas

Só Deus para nos salvar da pandemia do coronavírus

Estamos na iminência de termos um crescimento ainda mais exponencial de contaminação, já que, infelizmente, boa parte da população não está respeitando os cuidados mínimos

Publicado em 17/04/2020 às 05h00
Atualizado em 17/04/2020 às 05h01
Máscaras são utilizadas no combate contra o coronavírus
Máscaras são utilizadas no combate contra o coronavírus. Crédito: Tai's Captures/ Unsplash

Após um mês confinado em casa, tentando me proteger (e proteger os outros) do risco da contaminação do coronavírus, passei por algumas ruas da cidade, em um automóvel, não mais do que 15 minutos, na quinta-feira (16) pela manhã. E o que vi? O comércio permanecia fechado, é verdade, mas o calçadão da Praia de Camburi estava lotado. Também totalmente ocupadas estavam as vagas no estacionamento da praia.

Em frente à lotérica, uma longa fila se estendia pela calçada, com a maioria das pessoas sem máscara de proteção. No posto de combustível, o frentista sem máscara explicava que, por estar em um ambiente aberto, não precisaria usá-la. Trabalhadores da construção civil igualmente dispensaram as máscaras. Pontos de aglomeração se formavam nas proximidades das farmácias e lojas de alimentos.

Vi um homem de meia idade falando ao telefone próximo às portas de vários carros estacionados, sem o cuidado de evitar qualquer tipo de contato. Não faltavam também numerosos moradores de rua, deitados nas calçadas, sem sinal de qualquer cuidado de higiene. A circulação de carros não era a mesma dos dias sem isolamento social mas, seguramente, correspondia à metade de um dia normal.

Diante de um quadro assim, concluí que a mídia não aumenta o que de fato está acontecendo: estamos na iminência de termos um crescimento ainda mais exponencial de contaminação, já que, infelizmente, boa parte da população (a metade, segundo a pesquisa que detecta, através do sinal dos celulares, o afastamento das pessoas de suas residências), não está respeitando os cuidados mínimos de afastamento recomendados pelas autoridades da saúde.

Trata-se de um paradoxo, já que a ninguém é dado o direito de desconhecer os riscos da contaminação e os cuidados mínimos que devem ser adotados para evitá-la. Muitos criticam a mídia, sem se dar conta de que o perigo é real e atinge todas as regiões do planeta. Preferem relativizar o problema ao invés de dar a ele a importância devida. Fecham os olhos para as centenas de milhares de mortes ocorridas em todo o mundo.

No Brasil já são mais de 200 mortes por dia, cinco vezes mais do que ocorria há duas semanas. De quarta para quinta-feira, foram mais 200 os casos confirmados da doença no Espírito Santo. Pesquisa feita no Rio Grande do Sul constata que a quantidade de pessoas infectadas é 7 vezes maior que os números oficiais. A rede hospitalar já está próxima do colapso no Rio e em São Paulo. E mesmo assim há quem, como o presidente, ache que o isolamento social deve terminar.

Diante de tudo isso, só resta confiar em Deus, e na sua misericórdia, para salvar o Brasil e os brasileiros do mal que ainda está por vir.

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