Contrariando uma percepção comum de que as novas gerações priorizam vivenciar experiências a construir um patrimônio, a casa própria continua sendo um dos principais objetivos de vida entre os jovens. Um Levantamento da Brain Inteligência Estratégica, realizado em novembro de 2025, aponta que 56% dos jovens de 21 a 28 anos, a chamada Geração Z, pretendem adquirir um imóvel nos próximos meses, o maior índice entre todas as faixas etárias.
Além disso, uma pesquisa nacional realizada pela Loft em parceria com a Offerwise, em 2025, aponta que 65% das pessoas dos 18 aos 34 anos pretendem comprar um imóvel nos próximos anos, principalmente para sair do aluguel e conquistar estabilidade financeira, visto que o imóvel segue sendo uma base de segurança financeira e uma forma de construir patrimônio a longo prazo.
Por outro lado, o levantamento Retratos do Morar, também divulgada no final de 2025 pela Ipsos-Ipec e encomendada pelo Grupo QuintoAndar, apontou que, apesar do interesse, o principal obstáculo para transformar esse plano dos jovens em realidade é o financeiro: 62% dos jovens brasileiros acreditam estar mais complicado adquirir um imóvel atualmente do que em gerações anteriores, apesar de que 72% dos entrevistados admitem que sonham com a casa própria.
“Os jovens estão um pouco desalentados, mas isso é muito por conta da falta de organização e planejamento. O erro é se preocupar justamente com a parcela, a entrada, mas não se organizar para chegar neste momento”, destaca a educadora financeira Kallenya Lima.
Vale destacar que, enquanto nas gerações anteriores o patrimônio era construído de forma conjunta pelo casal, atualmente, é algo que exige, para muitos, um esforço mais solitário.
Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2024, a idade média ao casar de solteiros atingiu 31,5 anos para homens e 29,3 anos para mulheres, um aumento significativo em comparação com 2006, em que as médias eram de 25,4 anos para mulheres e 28,3 anos para homens no primeiro casamento.
Organização é a chave
Segundo a especialista, a soma de todos esses fatores torna o desejo da casa própria algo mais difícil do que é na realidade. A principal dica da profissional, para conseguir se planejar a longo prazo e tirar esse sonho do papel, é equilibrar as contas e traçar prioridades.
“É preciso buscar o equilíbrio. Muitas pessoas desistem antes de começar. E nesse desistir, elas estão trocando sonhos por desejos, que é no dia a dia, fazendo os gastos desnecessários que não vão acrescentar na vida delas”, salienta Kallenya ao pontuar que, muitas vezes, jovens acabam tendo dificuldades em juntar o dinheiro necessário para o valor de entrada do imóvel.
O corretor de imóveis e diretor da URBS Connect, Gustavo Abdala, observa que muitos jovens já estão desenvolvendo carreira e têm ganhos financeiros, mas continuam morando com os pais - e a dica está em aproveitar o momento para economizar ou até mesmo adquirir o primeiro imóvel.
“Alguns jovens continuam morando na casa dos pais e compram o imóvel com o pensamento de investimento. Isso tem aumentado cada vez mais. Ele usa o imóvel como boa renda e, quando for o momento, pode fazer uso próprio do bem”, explica.
Kallenya aconselha a fazer a simulação do imóvel pretendido e colocá-lo como meta, mas é preciso começar com os pés no chão. “Comece pequeno, mas comece, pois o imóvel vai sempre valorizar acima dos ganhos médios da população. Compre algo que seja menor e mais simples, que caiba no orçamento e, no futuro, parta para o upgrade do imóvel”, aconselha.
Gustavo lembra que existem muitas alternativas para facilitar o financiamento, o que pode tornar a negociação mais atrativa e possível para os mais jovens.
“O governo federal elevou o valor máximo para financiamento pelo SFH (Sistema Financeiro de Habitação), a Caixa retomou o financiamento de até 80% do valor do imóvel, reduzindo o valor da entrada, e ainda tem a possibilidade de usar o FGTS para entrada ou amortização da dívida, o que favorece muito a compra. É o momento ideal para quem deseja investir no mercado imobiliário, seja para morar, seja com intenção de alugar”, finaliza o corretor.