Sair
Assine
Sair
Entrar

Recuperar senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Cadastrar nova senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Tempo de aprender

Quando a insensatez deve dar lugar à união de todos

Num momento tão grave como o da pandemia de coronavírus para a humanidade e de tantos prejuízos para todos, os poderes públicos e a sociedade deveriam se dar as mãos, cada um fazendo a sua parte para minimizar as perdas

Publicado em 27 de Março de 2020 às 05:00

Públicado em 

27 mar 2020 às 05:00
José Carlos Corrêa

Colunista

José Carlos Corrêa José Carlos Corrêa
Coronavírus - Covid19
Coronavírus - Covid19 Crédito: Syaibatul Hamdi/Pixabay
Meu pai se emocionava todas as vezes em que contava suas lembranças da Gripe Espanhola em Vitória. Eram os anos 1918 e ele, menino de nove anos, morava com a família em uma casa situada atrás da Catedral Metropolitana. Seu relato citava as casas envoltas em mosqueteiros e as carroças da limpeza pública que passavam, diariamente, nas ruas recolhendo os corpos das pessoas mortas.
A internet nos traz informações do horror da Gripe Espanhola. Uma das postagens mostra a capa do jornal “Gazeta de Notícias”, do Rio de Janeiro, de 18/10/1918, com a manchete “O Rio é um vasto hospital!” com os subtítulos “A invasão da Influenza Espanhola”, “Não há médicos, não há remédios”. O editorial é ainda mais contundente: “Socorro!”.
No Brasil, a Gripe Espanhola se espalhou rapidamente em um mês. O senador Paulo de Frontin ficou combalido várias semanas até se recuperar. O presidente Rodrigues Alves não teve a mesma sorte: ficou doente e morreu. As aglomerações foram proibidas e as pessoas impedidas de irem aos cemitérios no dia de finados. Calcula-se que a Gripe Espanhola tenha matado 50 milhões de pessoas no mundo, quase seis vezes mais do que a Primeira Guerra Mundial.
Um século depois, eis que nos defrontamos com algo tão ou mais grave que a Gripe Espanhola. O coronavírus se alastra pelo mundo, fecha países, interrompe viagens e paralisa a economia. No Brasil, a trajetória da quantidade de infectados e de mortos não para de crescer. Os governos procuram adotar o que é o único caminho apontado pelas autoridades de saúde: o isolamento social. A tentativa é a de, na impossibilidade de debelar o vírus, que pelo menos seja desacelerada a sua disseminação.
Num momento assim, tão grave para a humanidade e de tantos prejuízos para todos, os poderes públicos e a sociedade deveriam se dar as mãos, cada um fazendo a sua parte para minimizar as perdas. Uma receita tão simples e óbvia que, infelizmente, não tem sido seguida.
Os poderes públicos buscam fazer política com a crise, com olhos nas próximas eleições – tendo como destaque negativo o próprio presidente da República que, ao invés de dar demonstrações de equilíbrio e bom senso, é talvez o maior incendiário dos debates –, e boa parte das pessoas se digladia em panelaços, xingamentos mútuos e perda de energia com discussões menores nas redes sociais.
Que Deus nos ajude a aprender que, diante de uma crise de tão grandes proporções, a união de todos é a única alternativa para enfrentar a doença e esperar passar a tempestade. Até porque ainda haverá o tempo de reconstrução que continuará exigindo sacrifícios de todos nós. Ainda há tempo para aprender. Só depende de cada um de nós.

José Carlos Corrêa

José Carlos Corrêa José Carlos Corrêa

É jornalista. Atualidades de economia e política, bem como pautas comportamentais e sociais, ganham análises neste espaço

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Imagem de destaque
Eclipse abriu um novo ciclo: veja quais signos podem sentir mais a energia de mudança
Eleições 2026 - Candidatos ao governo do ES
Veja o perfil dos 5 candidatos a governador do ES
Candidatos com alto volume de votos tendem a beneficiar correligionários na disputa por cargos no Legislativo
ES tem 580 candidatos registrados para as Eleições 2026

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados