Os avós não podem abraçar seus filhos e netos. Os amigos não se aproximam uns dos outros. Os comerciantes agora não apertam as mãos dos seus clientes. Os professores não recebem mais os seus alunos na porta das salas de aula. Algumas pessoas, nas janelas, tentam quebrar o silêncio cantando ou tocando algum instrumento musical. São os tempos do coronavírus, a pandemia que se espalhou pelo mundo e impôs o isolamento social.
Ah, dirão alguns, mas há a tecnologia para superar tudo isso. Os avós podem ver os filhos e netos pelo Skype ou WhatsApp, falar com eles e dizer como estão e ouvir as notícias sobre o que estão fazendo e o que vão fazer. Os amigos podem passar horas trocando mensagens e fotos, rindo dos memes e ensinando, por exemplo, como se exercitar em casa. Os comerciantes podem passar a vender seus produtos usando aplicativos e fazendo a entrega na casa das pessoas. Os professores podem dar aulas virtuais e conversar com seus alunos e enviar material de estudo utilizando a internet.
Mas, convenhamos, nada substitui a interação presencial. O homem é um animal gregário, político, já dizia Aristóteles três séculos ante do nascimento de Cristo. “É um animal social”, ensinava, para completar: “Existe naturalmente em todos os homens o impulso para participar de tal comunidade, e o homem que pela primeira vez uniu os homens assim foi o maior dos benfeitores”.
Givanni Papini, escritor florentino (1881-1956) que, por certo, estaria, se estivesse vivo, imensamente triste com o atual isolamento social na sua cidade natal, dizia que o homem “não pode suportar a ideia de estar só consigo, (...) tem necessidade de se sentir cotovelo com cotovelo, pele com pele, no calor de uma multidão, ligado, seguro, uniforme, conforme”.
Ouvi depoimentos de alguns amigos encantados com o aprendizado adquirido nesses tempos de isolamento social. Diziam que descobriram habilidades, como a de dar aulas virtualmente, que não imaginavam que tinham. Não há dúvidas de que é sempre bom e útil um aprendizado a mais. Mas, como dizem os juramentos de formandos de alguns cursos do ensino superior, é preciso não se deixar “cegar pelo brilho excessivo da tecnologia nem (...) esquecer de que trabalho para o bem do homem e não da máquina”.
Enfim, vamos contribuir (ficando em casa) e torcer para que esse período de isolamento social dure o mínimo possível. Se hoje é preciso se isolar em casa, devemos fazê-lo. Mas sem esquecer de que tecnologia alguma substitui o abraço, o aperto de mãos, a proximidade física e o sorriso carinhoso, dado presencialmente, que cativa e dá sentido à vida.