O mês de abril foi o mais violento no trânsito dos últimos dez anos no Espírito Santo, como mostrou a coluna de Vilmara Fernandes. Um mês com muitos feriados, e potencialmente com mais veículos nas rodovias nessas folgas prolongadas, e 94 mortes registradas. Não dá para minimizar o fato de que tanta gente perdeu a vida, deixando familiares e amigos inconsoláveis.
A barbárie no trânsito tem sido recorrentemente citada neste espaço porque ainda não encontrou um caminho para recuar, embora se saiba que é no comportamento dos condutores que pode começar a haver uma redução consistente dos acidentes e sinistros.
Ninguém discorda que a infraestrutura não pode ser negligenciada pelo poder público: rodovias, avenidas e ruas mais seguras são inegociáveis, serão sempre alvo de cobranças.
Mas se tornam inócuas se quem trafega por elas é incapaz de seguir as regras mais básicas do trânsito. Do consumo de álcool ao excesso de velocidade, uma decisão equivocada pode desencadear uma tragédia. E as pessoas ainda se dão pouca conta disso quando continuam abusando da imprudência e da negligência.
O tema de 2026 do Maio Amarelo, campanha que todos os anos atua para reduzir essa violência, vem bem a calhar: "No trânsito, enxergar o outro é salvar vidas". É um chamado à responsabilidade coletiva, sobretudo nesta nova era de mobilidade, com as bicicletas elétricas se espalhando pelas vias. O trânsito precisa se reorganizar.
É urgente essa convocação geral, porque todos fazem parte do trânsito em diferentes circunstâncias: pedestres viram motoristas, ciclistas viram pedestres... em cada papel, a responsabilidade é a mesma. Mas não podem faltar as ações corretivas quando a conscientização não funciona: mais fiscalização, mais multas, mais punição.
Maio está aí para nos lembrar que podemos ser melhores do que fomos no trânsito em abril. E assim por diante.
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