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Os sons da pandemia de coronavírus que a população não ouve

Aconselho aos que ainda não se convenceram da necessidade de isolamento, que tentem ouvir o som de alerta das estatísticas e do apelos vindos das autoridades conscientes da área da saúde

Públicado em 

15 mai 2020 às 05:00
José Carlos Corrêa

Colunista

José Carlos Corrêa

Vitória - ES - Abertura do comércio na avenida Jerônimo Monteiro no Centro de Vitória.
Abertura do comércio no Centro de Vitória: nem todo mundo respeita o pedido de isolamento social Crédito: Vitor Jubini
Durante o dia, ouço a buzina do carrinho do vendedor de picolés, uma vez pela manhã, outra à tarde. O Zé do Pão, que nunca passava por aqui, há várias semanas tem vindo à noite. Ontem, veio também no final da tarde. As inconfundíveis e insistentes buzinas anunciam a presença dos ambulantes, ávidos por vender o seu produto na rua vazia. É a busca da sobrevivência nos tempos da pandemia.
Minha rua é tranquila e silenciosa, salvo quando passa algum carro de maior porte, uma camionete ou caminhão. Ou quando há alguma obra por perto. O silêncio é um bom sinal. Sinal de que, pelo menos na vizinhança, o distanciamento social tem sido respeitado. Quem passa pela rua geralmente está com máscaras. Quase sempre são pessoas levando seus cachorros para passear.
Quando o silêncio é quebrado por uma sirene, vou à janela conferir o que está ocorrendo. Se antes da pandemia o receio era o de uma perseguição policial a assaltantes – o que poderia gerar algum tiro ou bala perdida – agora o temor é o de que a sirene seja a de uma ambulância. Seria o sinal de que alguém precisa de cuidados na saúde e, quem sabe, que o coronavírus esteja por perto?
Percebo, contudo, que o silêncio da minha rua – e a percepção de que estamos conscientes da importância do distanciamento social – não faz parte da rotina da maioria das pessoas do meu Estado. Aqui, apesar dos apelos constantes das autoridades da saúde e da prudência do governador – que acertadamente se contrapõe aos arroubos presidenciais pelo fim da quarentena –, o desrespeito às orientações tem sido a tônica dominante.
Os números não deixam dúvida: no Espírito Santo, a epidemia ainda avança para o seu pior momento. Na quarta-feira, 13 de maio, foram registrados 311 novos casos e 21 mortes. Temos mais infectados e mais vítimas fatais que Minas Gerais. Impressiona sermos o 9º Estado com maior quantidade de pessoas contaminadas (5,4 mil na quarta-feira). Fundão desponta como a 14ª cidade com maior mortalidade por Convid-19 do país a cada 100 mil habitantes.
Esses sons eloquentes de alerta das estatísticas das autoridades de saúde ainda não estão sendo adequadamente ouvidos pelos capixabas. As denúncias que chegam às autoridades dão conta de que, em muitos bairros, as aglomerações são frequentes. Em Fundão, novo epicentro da pandemia no Estado, o isolamento social era de apenas 42,2%, muito abaixo dos 55% recomendados pelas autoridades.
Para quem precisa se proteger do vírus – já que não há remédio e vacina descobertos pelos pesquisadores – só resta o caminho do isolamento social. E aconselho aos que ainda não se convenceram dessa necessidade, que tentem ouvir o som de alerta das estatísticas e do apelos vindos das autoridades conscientes da área da saúde.

José Carlos Corrêa

É jornalista. Atualidades de economia e política, bem como pautas comportamentais e sociais, ganham análises neste espaço.

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