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Coronavírus

No ES, o bom senso na abertura do comércio prevalece. Já em Brasília...

Felizmente, no Espírito Santo, o bom senso tem prevalecido. Mas é prudente ficar atento, porque o pior ainda pode estar por vir. E o pior seria o colapso do sistema de saúde o que deixaria os doentes desassistidos

Publicado em 01 de Maio de 2020 às 05:00

Públicado em 

01 mai 2020 às 05:00
José Carlos Corrêa

Colunista

José Carlos Corrêa José Carlos Corrêa
Comércio fechado por causa do coronavírus no Centro de Vila Velha
Comércio fechado por causa do coronavírus no centro de Vila Velha Crédito: Carlos Alberto Silva
É natural a ansiedade das pessoas, de um modo geral, e dos empresários, em particular, pelo retorno às atividades cotidianas, o que representaria, em tese, o final, completo ou escalonado, do isolamento social recomendado pelas autoridades da área da saúde, nesses tempos de coronavírus. Mas, convenhamos, o Brasil ainda não chegou ao pico da epidemia.
Basta analisar os números de casos confirmados, da ocorrência de óbitos e de ocupação de leitos de UTI e enfermarias para verificar que os números são crescentes sinalizando um aumento exponencial de ocorrências e de colapso no sistema de saúde. São 79 mil os casos diagnosticados – mais de 5 mil por dia – e mais de 5 mil mortos, ou seja, quase 500 por dia. O país tem mais casos de pessoas contaminadas que a China, epicentro da doença, e caminha rapidamente para se tornar o sétimo país com maior número de infectados.
Em vários estados do país – Amazonas, Pará, Ceará, Pernambuco, Rio de Janeiro e São Paulo – já não há mais leitos disponíveis e os doentes em busca de tratamento são levados de hospital a hospital em busca de socorro. Nos cemitérios, os coveiros já não dão conta de tantos sepultamentos. Até urnas funerárias estão em falta.
No Espírito Santo, a situação não é diferente. Foram mais sete mortos de quarta para quinta-feira e 400 novos casos. A ocupação dos leitos está próxima de 70%. Há uma semana, era 62%. Ou seja, se a nossa situação não está igual à do Rio de Janeiro, está muito próxima disso.
Pressionado, o governo do Estado anuncia a reabertura do comércio nos municípios da Grande Vitória – que concentram a maioria das pessoas contaminadas –, provavelmente na próxima segunda-feira. Mas anuncia que tomará a medida condicionada ao índice de ocupação dos leitos nos hospitais. Se o índice chegar a 80%, o fechamento das lojas poderá voltar a ocorrer.
É um desafio gigantesco que está diante de governadores e prefeitos. Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come. Felizmente, no Espírito Santo, o bom senso tem prevalecido. Mas é prudente ficar atento, porque o pior ainda pode estar por vir. E o pior seria o colapso do sistema de saúde o que deixaria os doentes desassistidos, sem atendimento e à espera da morte.
Enquanto isso, em outro país – chamado Brasília – o presidente da República, o mesmo que disse várias vezes que tudo não passava de uma “gripezinha”, vai a um estande de tiro testar a sua pontaria. No mesmo dia, nos cemitérios de Manaus, caixões eram enterrados empilhados como forma de acelerar os sepultamentos.

José Carlos Corrêa

José Carlos Corrêa José Carlos Corrêa

É jornalista. Atualidades de economia e política, bem como pautas comportamentais e sociais, ganham análises neste espaço

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