É natural a ansiedade das pessoas, de um modo geral, e dos empresários, em particular, pelo retorno às atividades cotidianas, o que representaria, em tese, o final, completo ou escalonado, do isolamento social recomendado pelas autoridades da área da saúde, nesses tempos de coronavírus. Mas, convenhamos, o Brasil ainda não chegou ao pico da epidemia.
Basta analisar os números de casos confirmados, da ocorrência de óbitos e de ocupação de leitos de UTI e enfermarias para verificar que os números são crescentes sinalizando um aumento exponencial de ocorrências e de colapso no sistema de saúde. São 79 mil os casos diagnosticados – mais de 5 mil por dia – e mais de 5 mil mortos, ou seja, quase 500 por dia. O país tem mais casos de pessoas contaminadas que a China, epicentro da doença, e caminha rapidamente para se tornar o sétimo país com maior número de infectados.
Em vários estados do país – Amazonas, Pará, Ceará, Pernambuco, Rio de Janeiro e São Paulo – já não há mais leitos disponíveis e os doentes em busca de tratamento são levados de hospital a hospital em busca de socorro. Nos cemitérios, os coveiros já não dão conta de tantos sepultamentos. Até urnas funerárias estão em falta.
No Espírito Santo, a situação não é diferente. Foram mais sete mortos de quarta para quinta-feira e 400 novos casos. A ocupação dos leitos está próxima de 70%. Há uma semana, era 62%. Ou seja, se a nossa situação não está igual à do Rio de Janeiro, está muito próxima disso.
Pressionado, o governo do Estado anuncia a reabertura do comércio nos municípios da Grande Vitória – que concentram a maioria das pessoas contaminadas –, provavelmente na próxima segunda-feira. Mas anuncia que tomará a medida condicionada ao índice de ocupação dos leitos nos hospitais. Se o índice chegar a 80%, o fechamento das lojas poderá voltar a ocorrer.
É um desafio gigantesco que está diante de governadores e prefeitos. Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come. Felizmente, no Espírito Santo, o bom senso tem prevalecido. Mas é prudente ficar atento, porque o pior ainda pode estar por vir. E o pior seria o colapso do sistema de saúde o que deixaria os doentes desassistidos, sem atendimento e à espera da morte.
Enquanto isso, em outro país – chamado Brasília – o presidente da República, o mesmo que disse várias vezes que tudo não passava de uma “gripezinha”, vai a um estande de tiro testar a sua pontaria. No mesmo dia, nos cemitérios de Manaus, caixões eram enterrados empilhados como forma de acelerar os sepultamentos.