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Isabela Castello, administradora e designer, apaixonada pelo universo criativo, sua coluna aborda conteúdos sobre arte, design, arquitetura e urbanismo.

Conheça o universo criativo da designer de iluminação Cris Bertolucci

Formada em design, com especialização na Itália, ela trabalha há 30 anos com criação na área de iluminação decorativa e faz parte de um grupo de mulheres que são detentoras de um legado importantíssimo para nossa história

Publicado em 14/11/2021 às 02h00
Cris Bertolucci
Com assinatura própria, Cris Bertolucci cria luminárias com infinitas possibilidades e que ilustram diversos projetos inspiradores. Crédito: Divulgação

A designer vem abrindo seu espaço como mulher no mundo da decoração há mais de 30 anos. Formada em design, com especialização na Itália, Cristiana Bertolucci trabalha há 30 anos com criação na área de iluminação decorativa e faz parte de um grupo de mulheres que são detentoras de um legado importantíssimo para nossa história.

Há 10 anos abriu seu Estúdio, em carreira solo, e conta com uma grande coleção de luminárias, com design exclusivo e contemporâneo. Com assinatura própria, Cris Bertolucci cria luminárias com infinitas possibilidades e que ilustram diversos projetos inspiradores. Seus produtos quase sempre remetem a elementos da natureza, tanto no desenho da peça, como também na escolha dos materiais.

Ela esteve recentemente em Vitória para uma palestra para profissionais de arquitetura e design, a convite da Homelux. Confira.

Você poderia falar um pouco da sua infância e do seu contato com as artes, com a estética? Já havia alguma inclinação para a área artística/design? Havia algum vislumbre de que a carreira artística/design seria um caminho?

Sou caçula de cinco irmãos e desde a infância sempre me atraiu o mundo das artes. Desde pequena, no ensino fundamental, adorava as aulas de artes. Adorava visitar o ateliê de parentes e especialmente de minha cunhada, namorada de meu irmão mais velho. Cheguei a fazer aulas com ela. Tenho essa recordação muito forte na minha memória, como uma sensação de possibilidade de me expressar através desse caminho. Toda a adolescência fiz trabalhos de desenho e pintura.

Conte um pouco sobre sua formação e início da carreira.

Quando chegou o momento de escolher a carreira, segui para o desenho industrial, mesmo sabendo que na época não havia reconhecimento desse curso. Fiz a primeira turma de Desenho industrial no Mackenzie. Quando finalizei o curso, aos 19 anos, fui para a Itália fazer um curso de pós-graduação. Era muito nova e mais me diverti que estudei, mas foi uma bela experiência de vida. Foram dois anos de Itália e Europa. Ao retornar, fiz alguns trabalhos experimentais. Foi quando resolvi ingressar na empresa de iluminação decorativa que meu pai Walter Bertolucci havia fundado duas décadas antes, a Bertolucci. Para mim, foi uma grande oportunidade de poder desenvolver meu trabalho, pois na época era muito difícil uma colocação na área ou mesmo iniciar um trabalho autônomo. Design na época era só importado. Para a empresa de meu pai, foi também uma maneira de se destacar entre tantas que existiam na época. A via do design foi a salvação para a empresa, quando o mercado abriu para os importados chineses. Vi a maioria das indústrias brasileiras fecharem uma a uma, até sobrarem bem poucas.  

Após 25 anos trabalhando como diretora de arte e designer na Bertolucci e ter desenhado centenas de produtos, você resolveu tirar um ano sabático...

Foi então que decidi seguir meu caminho próprio e abri meu Estúdio que esse ano completa 11 anos. Na ocasião, tinha vontade de fazer um trabalho mais artístico e autoral. Era a hora da liberdade de me exprimir de maneira mais exclusiva, única, sem muito compromisso com vender e ter resultados. Experimentei matérias e processos super artesanais em metalúrgicas artísticas, trabalhei com modelagem em gesso, madeiras trabalhadas de forma mais livre, cerâmicas e bronze fundido. Foi muito desafiador nesse momento achar novos meios de produção, novos parceiros, novas formas de trabalho. Confesso que foi o momento mais desafiador para mim em toda minha carreira. Hoje após 11 anos, é muito gratificante olhar essa caminhada e ver o quanto aprendi e cresci nesse tempo e entender que superar os desafios na vida da gente é o que nos move para a frente e nos faz melhores.

Qual o artista ou designer que mais admira e que tenha sido uma influência na sua carreira ou na escolha por essa carreira?

Desde mais jovem, olhava para grandes designers como Ingo Maurer, que revolucionou tudo o que se sabia sobre iluminação. O ‘poeta da luz’ foi para mim uma fonte de inspiração. Lindo ver com que liberdade ele criava as mais belas e inusitadas luminárias jamais vistas. Outra fonte para mim foi Phillipe Starck, que com um humor e genialidade únicos, foi e é um dos melhores até hoje. Fiz alguns trabalhos a quatro mãos com outros designers, o que me trouxe aprendizado e novas experiências. Aprender com os colegas é demais, ver como funcionamos diferentes, cada um com uma cabeça e um jeito próprio de criar.

Criações de Cris Bertolucci

Criação de Cris Bertolucci
Criação de Cris Bertolucci. Divulgação
Criação de Cris Bertolucci
Criação de Cris Bertolucci. Divulgação
Criação de Cris Bertolucci
Criação de Cris Bertolucci. Divulgação
Criação de Cris Bertolucci
Criação de Cris Bertolucci. Divulgação
Criação de Cris Bertolucci
Criação de Cris Bertolucci
Criação de Cris Bertolucci
Criação de Cris Bertolucci

Fale um pouco sobre seu processo criativo.

Meu processo criativo é variado. Coleciono ideias e possibilidades, como se mantivesse um universo interno sementes de ideais que eventualmente se tornarão novos produtos. Possíveis caminhos. Às vezes, uma nova possibilidade de produto aguarda muito tempo sobre minha mesa de trabalho ou então na estante de achados que coleciono, até que ela vire um novo produto. Ou então, com o tempo, a ideia se torna inviável ou apenas fruto de um delírio. Coleciono rabiscos e croquis que, muitas vezes vou juntando por semelhança de forma ou de materiais e sintetizando até que finalmente chego a uma suposta conclusão de projeto, mas para mim um projeto nunca termina.

Qual é seu trabalho atual ou mais recente?

Ultimamente tenho trabalhado bastante com o bronze fundido. Esse foi meu material favorito lá no início do Estúdio, quando fiz uma coleção de peças únicas inspiradas na botânica. Comprei livros, estudei formas, desenvolvi modelos onde a inspiração eram botões de flores, sementes etc. Foi uma coleção de inauguração, digamos assim, de meu novo trabalho autoral. Nesses anos todos, continuei a trabalhar com o bronze, mas nesses últimos meses, intensifiquei esse trabalho. O resultado até agora é uma coleção heterogênea com formas diferentes. Algumas peças são “cópias” da natureza, ou seja, peças que fundo são o próprio galho, pedra, cuias e faço algumas interferências. Em outras peças, crio os modelos com restos de madeira, partes de papelão e monto quebra-cabeças. Outras ainda faço modelos em argila com forma orgânicas. Tenho adorado esse trabalho, é livre e criativo. Além do mais, é muito divertido. Há que ter divertimento e gente bacana para trabalhar junto!!

Qual é o papel e a relevância da arte para a sociedade?

Arte e design são fundamentais para toda a sociedade, necessário e inevitável para o artista e um oásis de experiências para a sociedade.

Este texto não traduz, necessariamente, a opinião de A Gazeta.

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