Dado o feroz tiroteio na região do Centro de Vitória, era inevitável suspendermos momentaneamente nossa série de artigos sobre as penas criminais ao longo da história. Confrontos entre traficantes não são exatamente uma novidade e aparentemente não houve vítimas, mas não há como dormir com todo aquele barulho. Para os moradores locais, literalmente.
É bem verdade que existe uma questão “econômica” ou “empresarial” em jogo, já que se disputam pontos para o comércio de substâncias ilícitas, mas esses eventos envolvem sempre grandes doses de adrenalina, testosterona e imaturidade. Não há nada de racional e mesmo quem vence uma batalha não tem muito tempo para aproveitar sua conquista antes de também ser assassinado. Isso, claro, em meio a uma população apavorada.
Em sua tese de doutorado, Bruno Paes Manso mostra claramente como essas rivalidades são uma espécie de espiral retroalimentada, sendo que nenhum daqueles que as iniciaram está vivo. Quem puxa o gatilho hoje não tem a menor ideia de por que competem e se vingam tão ferozmente, porque tudo começou muito antes que eles entrassem para a “firma”.
Por isso é especialmente importante identificar e prender rapidamente os autores de qualquer homicídio ou mesmo atentado entre traficantes: só assim se pode esfriar os ânimos e frear os ciclos infinitos de desforra. Repita-se: não há nada de lógico no comportamento desses criminosos, o que eles fazem é uma perfeita estupidez. Só que o fazem e deixam os cidadãos de cabelo em pé.
A nota preocupante é que isso envolveria uma facção criminosa com 10 mil integrantes. Proporcionalmente ao tamanho do Rio de Janeiro, seria uma organização criminosa maior que o PCC... Se apenas 10% disso for verdade, as autoridades têm um problemão para resolver, até porque, para estar enfrentando, o adversário não poderia ser muito menor. O que aconteceu esta semana poderia, então, ser apenas um aperitivo do que estaria por vir.
Como mostram as reportagens, as autoridades têm informações de inteligência e, claro, vão guardar para elas. Podemos apenas especular e, por isso, melhor não ir muito longe. Mas, é claro, a sociedade vai cobrar providências eficazes.