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Vilmara Fernandes

Decretada prisão temporária de suspeito de matar companheira em Guarapari

Decisão do Juízo da 1ª Vara Criminal de Guarapari aponta risco Alex Almeida de Barros fugir e até ameaçar testemunhas

Publicado em 10 de Junho de 2026 às 03:30

Públicado em 

10 jun 2026 às 03:30
Vilmara Fernandes

Colunista

Vilmara Fernandes

Alex Almeida de Barros, 48 anos, e Rosi Mari Marcelly Ayalla, de 52 anos. Ela foi morta em Guarapari
Arte - Camilly Napoleão com Adobe Firefly / Arquivo / Guarapari

Foi decretada no final da tarde desta quarta-feira (10), a prisão temporária de Alex Almeida de Barros, de 48 anos. Ele é suspeito de matar a companheira em Guarapari, cujo corpo foi encontrado no último dia 27.


A decisão é do Juízo da 1ª Vara Criminal de Guarapari. O texto judicial registra que o investigado responde a outro processo criminal por feminicídio e aguarda a realização de novo julgamento pelo Tribunal do Júri de Anchieta. O que demonstra, diz o texto, que o suspeito "não possui condições de conviver em sociedade, demonstrando certa periculosidade e desrespeito com o Poder Judiciário”.


O magistrado registrou ainda ser possível a decretação da prisão cautelar nos casos em que há reiteração de condutas delitivas e em que haja risco para a ordem pública, apontando o  “receio de que o agente volte a delinquir caso venha a ser solto é suficiente para motivar a manutenção de sua prisão cautelar em prol da manutenção da ordem pública”.


A decisão considerou a gravidade da infração, as declarações prestadas à polícia, o risco à integridade física das testemunhas, o de fuga, e que o relatório final da investigação ainda não foi concluído.


A prisão temporária tem prazo de 30 dias. A informação mais recente é de que o suspeito segue internado em hospital em Minas Gerais, após atear fogo no próprio corpo durante uma tentativa das polícias mineiras de prendê-lo.


Morte em apartamento


Alex é o principal suspeito do assassinato de Rosi Mari Marcelly Ayalla, de 52 anos, cujo corpo foi descoberto em avançado estado de decomposiçãono último dia 27,  dentro de um apartamento no bairro São Judas Tadeu, em Guarapari.


Familiares e amigos, que não a viam há pelo menos 20 dias, pediram ajuda à Polícia Militar para entrar no imóvel. Alex mantinha um relacionamento com Rosi Mari e é o principal suspeito.


Durante as diligências, a polícia identificou que o suspeito estava utilizando pertences pessoais da vítima, incluindo o veículo e o telefone celular. Ele também teria tentado receber cerca de R$ 300 mil resultantes da venda de um apartamento realizada por Rosi Mari e fugiu em direção a Minas Gerais conduzindo o automóvel da vítima. 


Crime em Anchieta


O outro crime do qual ele também foi acusado foi o assassinato da noiva, Euzineia Loyola Baptista, ocorrida em 17 de agosto de 2020em Anchieta, no Sul do Espírito Santo. Ele chegou a cumprir parte da pena de 12 anos, mas agora vai enfrentar um novo júri popular após a condenação pelo crime ter sido anulada. 


A decisão foi da 2ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES), que aceitou os argumentos de que os jurados decidiram contra as provas do processo ao desconsiderar as qualificadoras de feminicídio e de asfixia.


Com a anulação, a 2ª Vara de Anchieta deverá realizar um novo júri popular. Até o final de maio, o andamento processual indicava que o caso aguardava uma manifestação do magistrado local.


Euzineia foi asfixiada com um fio e jogada em uma piscina que foi coberta após o crime, o que causou a morte por afogamento. O corpo foi encontrado no dia seguinte.


O crime aconteceu na propriedade da vítima, na comunidade de Goembê. Segundo o processo, o denunciado e a vítima discutiam constantemente por problemas familiares. Logo após o crime, ciente de que a vítima possuía R$ 200 mil, ele fugiu com cartão e senha bancária, além de um anel e da aliança de Euzineia.


No primeiro julgamento, os jurados condenaram Alex a 12 anos de prisão, mas o Ministério Público do Espírito Santo (MPES) recorreu por entender que a decisão desconsiderou o feminicídio e o meio cruel (a asfixia). O Tribunal de Justiça aceitou o recurso e determinou o novo júri, em data a ser agendada.


A defesa de Alex não foi localizada, mas o espaço segue aberto à manifestação.


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Vilmara Fernandes

É jornalista de A Gazeta desde 1996. Antes atuou em A Tribuna. Foi repórter nas editorias de Política, Cidades e Pauta. Foi Editora de Pauta e Chefe de Reportagem. Desde 2007, atua como repórter especial com foco em matérias investigativas em diversas áreas.

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