O principal suspeito de envolvimento na morte da companheira Rosi Mari Marcelly Ayala, de 52 anos, em Guarapari, no Espírito Santo, já foi condenado na Justiça pelo assassinato de uma mulher, que era noiva dele à época. Alex Almeida de Barros, de 48 anos, está internado em estado grave após atear fogo no próprio corpo durante perseguição policial. Ele foi localizado em Rio Casca, em Minas Gerais, na quarta-feira (27).
O crime pelo qual Alex foi condenado vitimou Euzineia Loyola em 2020, no município de Anchieta, no Sul do Espírito Santo. De acordo com informações do Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES), ele foi condenado por homicídio simples, com pena de 12 anos de prisão. Em setembro de 2025, o condenado, que estava preso desde agosto de 2020, obteve o livramento condicional após cumprir mais de um terço da pena e atender aos requisitos legais.
Euzineia foi encontrada morta com sinais de estrangulamento em um sítio da família, na região de Goembê, no dia 18 de agosto de 2020. O corpo estava dentro de uma piscina, coberto por uma lona.
Crime em Guarapari
O caso de Guarapari foi descoberto na tarde de quarta-feira (27). Familiares e amigos de Rosi passaram a desconfiar pois a mulher estava havia 20 dias sem ser vista e sem enviar áudio ou ligar para ninguém; as pessoas só tinham contato com o número dela através de mensagens escritas.
Uma corretora e amiga de Rosi recebeu uma ligação do ex-marido dela relatando desconfiança. "Nessa ligação, ele mostrou que estava preocupado porque a Rosi, há um tempo, mais ou menos 20 dias, já não falava mais em ligação ou áudio, apenas por mensagem trocada. E nessa hora a gente lembrou que nos últimos dias só havia comunicação dela por mensagem escrita. O último áudio que ela enviou foi no dia 7 ou 8 de abril", relatou Sirlete Miranda.
Familiares, então, pediram ajuda da Polícia Militar para entrar no apartamento dela. Foi quando o corpo foi encontrado, já em avançado estado de decomposição. Enquanto isso, Alex, com quem ela se relacionava havia cerca de dois anos, circulava com o carro da vítima em direção a Minas Gerais.
A Rosi era uma pessoa muito alegre, alto astral, gostava de conversar bastante. Gostava da vida. Lamento muito isso que aconteceu e desejo que a justiça seja feita. E que esse homem não tenha direito de liberdade, porque não é a primeira vítima, e se ele continuar solto não vai ser a última.
Sirlete Miranda Corretora e amiga da vítima
Suspeita de interesse financeiro
Segundo informações apuradas pela Polícia Militar, há indícios de que o suspeito tentava receber valores relacionados à venda de um imóvel da vítima. “A mulher vendeu o apartamento por uns 300 e poucos mil e ele tava querendo pegar esse dinheiro. Estava se passando por ela, inclusive, para receber o dinheiro da corretora, mas a profissional desconfiou”, informou um policial militar.
O vizinho de Rosi, o aposentado Reni José Freitas, que tinha comprado móveis da vítima, também recebeu cobranças vindas do celular dela, mas achou suspeito. A primeira chegou no dia 19 de maio. A mensagem dizia: “Faz um pix para o meu namorado, eu estou autorizando”.
Depois disso, as mensagens não pararam. A última foi na segunda-feira (25). O vizinho afirma ter deixado o dinheiro com a síndica, mas o valor não chegou a ser entregue à vítima nem a Alex.
"Essa última parcela que eu tinha que pagar para ela, eu recebi essa mensagem dele dizendo que não sabia exatamente quanto era. Eu disse que era o acordado e, na realidade, depois me mandaram outro pix e pedindo pra eu deixar o dinheiro. Não sei se era ele ou ela, desconfiei porque achei difícil ela ter um compromisso e pedir alguém pra receber por ela, ela sempre me pagou aqui", disse Reni.
Leia a nota da Polícia Civil na íntegra
A Polícia Civil ressalta que a causa da morte da vítima ainda depende da conclusão dos laudos periciais e que, neste momento, não é possível afirmar a motivação ou a natureza do crime. As investigações prosseguem para esclarecer todas as circunstâncias do caso."
Errata
A versão anterior desta reportagem informava erroneamente que o homem havia sido preso. Segundo a Polícia Militar de Minas Gerais, ainda não há autuação formal contra o indivíduo, que permanece internado em estado grave e sem escolta. Paralelamente, a Polícia Civil do Espírito Santo esclareceu que a causa da morte da vítima depende da conclusão de laudos periciais, impossibilitando, no momento, a confirmação da motivação ou da natureza do crime. O título e o texto original foram atualizados.