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É doutor em Letras, professor e escritor. Seus textos tratam de literatura, grandes nomes do Espírito Santo e atualidades. Escreve quinzenalmente às segundas

Em 2021, que tenhamos saúde e vacina para todos!

Desculpe, pessoal, esta crônica deveria ser para desejar  paz e prosperidade a todos, mas creio que esses votos ficam para 2022

Publicado em 04/01/2021 às 06h00
Grandes expectativas surgiram com os resultados de fase 3 das vacinas de RNA mensageiro
Grandes expectativas surgiram com os resultados de fase 3 das vacinas de RNA mensageiro. Crédito: Freepik

Xô, 2020! Que ano ruim! Desde janeiro, quando começaram a circular os boatos dessa nova peste vinda da China, mais uma, o círculo foi se fechando, a cada dia as más notícias eclodiam, até o confinamento em março, o tal lockdown, nem sempre respeitado, pois o brasileiro é um povo rebelde e indisciplinado.

Depois, veio o fechamento do comércio, máscara obrigatória, aulas suspensas e o mantra a toda hora repetido: distanciamento social, álcool gel, higienização das mãos. E a cada dia aumentando o número de contaminados e de mortos. Começou a febre de lives, de música nas varandas, de trabalhos em casa, de gente fazendo pão, comendo e bebendo mais do que antes. Hospitais lotados, médicos e enfermeiros estressados e contaminados, pessoas enterradas aos montes, filas de caixões, defuntos sem velório, covas abertas com tratores.

Se lembro tudo isso, não é por masoquismo, mas é porque essas cenas não nos saem da cabeça e estão se repetindo. Estamos em novo pico da doença, mais de mil mortes por dia e as pessoas se aglomeram em praias, festas, igrejas, supermercados, shoppings, como se tudo estivesse normal, como era antes da nova peste. As imagens da Bacutia lotada no réveillon sinalizam não o fim da pandemia, mas que a prudência foi pra Cucuia. E haverá choro e ranger de dentes...

O que um velho cronista pode mais dizer sobre este ano fatídico e fatal que não acabou e não acabará enquanto não vier a vacina? E, lamentavelmente, enquanto meia centena de países imuniza seus cidadãos, nós estamos aqui, literalmente a ver navios, sem saber quando nossa hora e vez de sermos vacinados chegará.

O ministro general da falta de saúde disse que, quiçá, em fevereiro, ou março, começará a vacinação. Mas não conseguiu nem sequer comprar as seringas. O presidente Capitão Cloroquina joga bola, enquanto se aproxima o número de duzentas mil mortes e ele nem aí. Nunca antes na história deste país, tivemos alguém tão despreparado e insensível para exercer um cargo de tal magnitude.

Espero que, em 2022, o povo brasileiro tenha mais juízo e escolha um ser humano mais bem preparado para exercer essa função. Esse Trump dos trópicos, negacionista da doença e da vacina, ridicularizado no mundo todo, só trouxe vergonha para o nosso país e os setenta por cento de brasileiros que não o apoiam e seus desmandos. No entanto, ainda restam os trinta por cento de bolsominions que aplaudem até seu riso sarcástico, seu apoio à tortura e aos torturadores, seu discurso de ódio e suas arminhas.

Desculpe, pessoal, esta crônica deveria ser para desejar saúde, paz e prosperidade a todos, mas creio que esses votos ficam para 2022. Acredito que 2021 será ainda um ano muito difícil, pelo menos o primeiro semestre, enquanto não tomarmos a vacina e a vida retornar ao seu antigo normal.

Não podemos aceitar esse ‘novo normal’, com milhares de pessoas infectadas e morrendo diariamente, com escolas fechadas, professores e alunos em simulacros de aulas, postos de saúde, hospitais e enfermarias lotados, profissionais de saúde exaustos, esses nossos heróis do cotidiano, a quem só nos resta aplaudir e agradecer. Por tudo isso, só me resta desejar saúde e que venha logo essa tão almejada vacina, o maior presente que (quase) todos almejam. E, se possível, um feliz ano novo a todos.

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