O ano se inicia com muito calor, muita gente nas praias e cachoeiras, trânsito tumultuado nas estradas e tudo fica como dantes no quartel de Abrantes. O ritual de passagem de ano é apenas uma encenação mitológica de renovação. A vida e os seres humanos não mudam apenas com uma virada de folha no calendário. É preciso muita educação e muito condicionamento para que mudemos hábitos, costumes e atitudes.
Para colhermos o bem, é preciso cultivar o bem. Para obtermos paz, é preciso semear a paz. Milhares de pessoas assistiram aos fogos da passagem de ano na Praia da Costa. Quase todos voltaram vivos, se abraçaram, se desejaram votos de feliz ano novo e foram dormir. No entanto, um jovem foi baleado, por desentendimentos banais, alterações comuns em grupos alcoolizados. Se o assassino não estivesse armado, tudo não passaria de discussões e a turma do deixa disso resolveria.
O fato de alguém ir armado para o réveillon é emblemático de uma sociedade que tem como líder o maior defensor do porte de armas. Ninguém precisa de armas de fogo, excetuando os profissionais que são pagos pra defender a comunidade. O ser humano é tão violento que qualquer coisa serve para se defender ou para atacar. Quanto mais arma em circulação, maior a probabilidade de ocorrer um crime desse tipo.
Milhares de pessoas assistiram aos fogos nas praias do Brasil, geralmente soltos de balsas flutuantes no mar, para não trazer riscos à população. No entanto, um irresponsável em Itaparica, dono de quiosque ou não, cabe investigar, se achou no direito de fazer a queima de fogos ali mesmo, na praia, junto à população, talvez para atrair mais gente para o seu comércio. Não era a primeira vez que fazia isso, mas desta vez deu ruim.
O frágil alambrado caiu sobre os foguetes e eles explodiram ali mesmo, ferindo várias pessoas. Um deles, parece, militar de folga, feriu-se e foi buscar socorro em hospital da Praia da Costa. A motorista que o socorreu, provavelmente alcoolizada, ainda não identificada, perdeu o controle do carro e provocou grave acidente num cruzamento da Av. Champagnat. Tudo isso leio no jornal, no dia seguinte, pois nada vi e só relato o que li. E tudo poderia ter sido evitado, se as pessoas agissem corretamente. O mal é muito forte no instinto humano, embora a maioria aja corretamente. No entanto, só o mal é divulgado. Não sei se isso contribui para propagar o Bem. Acho que não.
O que vejo, no dia seguinte ao réveillon, é muito lixo na praia. 150 toneladas foram recolhidas nas praias de Vila Velha, Vitória e Serra. Os garis trabalham exaustivamente, recolhem as garrafas, mas não suas tampas e rolhas. Não dão conta do lixo miúdo, que vai para a água e servirá de morte a tartarugas, peixes, golfinhos e outros animais.
As sacolas de picolé são um veneno para eles, que as confundem com algas. Educação não é papel só da escola, senhores pais. Ensinem aos filhos a colocar nas lixeiras da praia o que sobrar de seus alimentos: papéis de bala, palitos de picolé, canudinhos, garrafas de refrigerantes e de bebidas. É preciso fazer o bem para colher o bem. Só assim teremos Saúde e Paz.