Sair
Assine
Entrar

Entre para receber conteúdo exclusivo.
ou
Crie sua conta A Gazeta
Recuperar senha

Preencha o campo abaixo com seu email.

Futebol

Transmissão em canais próprios não é solução ideal para todos os clubes

Autonomia para distribuir direitos de transmissão abre possibilidades interessantes para os times de massa e com potencial de arrecadação. Mas é preciso entender que as realidades no Brasil são bem diferentes

Publicado em 04 de Julho de 2020 às 06:00

Públicado em 

04 jul 2020 às 06:00
Filipe Souza

Colunista

Filipe Souza

Flamengo e Vasco transmitiram seus jogos pelo Carioca em canais próprios nesta semana
Flamengo e Vasco transmitiram seus jogos pelo Carioca em canais próprios nesta semana Crédito: Reprodução/FlaTV e Vasco TV
Não há como negar que a Medida Provisória 984/2020, assinada pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) no dia 18 de junho, representa uma ruptura significativa no modelo ao qual estamos acostumados a acompanhar as transmissões ao vivo dos jogos de futebol no Brasil.
Um dos principais interessados nessa nova iniciativa de negócio, o Flamengo provou na última quarta-feira (1º), que é possível alcançar bons resultados. Já fazendo valer a MP, que permite ao clube mandante distribuir os direitos de transmissão de sua partida da forma que quiser, o Rubro-Negro transmitiu o confronto com o Boavista na FlaTV, canal oficial do clube, que disponibilizou o jogo no YouTube, Twitter e Facebook.
A transmissão chegou a um pico simultâneo de 2,2 milhões de pessoas acompanhando a partida nas três plataformas, e se tornou a maior transmissão esportiva do YouTube no mundo. Além da audiência, o Flamengo conseguiu arrecadar com “ingressos virtuais”, modalidade em que o torcedor faz doações, inserções de patrocinadores ao longo da transmissão e cota das redes sociais onde o jogo foi transmitido.
O clube carioca também conseguiu levar a transmissão das partidas para outros países. Pela plataforma Mycujoo, o torcedor pagava o valor de 8 dólares para conseguir acompanhar o jogo. De acordo com o portal UOL, somando todos os rendimentos, o Rubro-Negro faturou cerca de R$ 900 mil na transmissão.
Flamengo alcançou números históricos na transmissão da partida contra o Boavista na FlaTV
Flamengo alcançou números históricos na transmissão da partida contra o Boavista na FlaTV Crédito: Reprodução/Fla TV
Não há dúvidas que a iniciativa do Flamengo foi um sucesso e que, com mais tempo de planejamento para os próximos jogos e campeonatos, o clube terá um potencial de arrecadação ainda maior. Mas há de se ponderar que um alcance de 2,2 milhões de pessoas, apesar de significativo, é pequeno quando relacionado a difusão da TV aberta. Algo que faz a diferença para o clube que possui aproximadamente 40 milhões de torcedores. É um fator que deve ser pesado na balança.
Como o cenário ainda é novo, o próprio Flamengo ainda não tem certeza de qual é o melhor forma de viabilizar a transmissão e se permite fazer testes. Tanto que optou por transmitir a semifinal da Taça Rio neste domingo (05) diante do Volta Redonda via Mycujoo. Mas desta vez o torcedor terá que pagar R$ 10,00 para assistir o jogo que acontece às 16h, no Maracanã. Decisão que provavelmente será responsável por diminuir o número de expectadores da partida, mas que ainda assim pode servir como um termômetro para nortear o caminho da diretoria.
Vasco transmitiu vitória sobre o Madureira na Vasco TV
Vasco também apostou no streaming ao transmitir a vitória sobre o Madureira na Vasco TV, no Youtube Crédito: Reprodução VascoTV

RUPTURA COM A TV ABERTA PODE NÃO SER A MELHOR ALTERNATIVA PARA TODOS

Entretanto, as transmissões exclusivas em canais próprios não é um caminho perfeito para todos. O Flamengo é dono da maior torcida do Brasil. Isso faz a diferença em qualquer negociação. Clubes com potencial nacional, além do Rubro-Negro, como Corinthians, Palmeiras, Vasco e São Paulo, se trabalharem bem poderão surfar nessa onda e conseguir ótimos resultados.
Outros gigantes como Internacional, Grêmio, Cruzeiro, Atlético-MG, Athletico-PR, Bahia, Fortaleza também podem conquistar boas receitas, principalmente a nível regional. Evidentemente, as grandes empresas não vão patrocinar todos os jogos e campeonatos. Vão investir nos grandes eventos e nos clubes que oferecem retorno significativo. E obviamente não são todos os clubes brasileiros que possuem esse potencial.  
Nos principais campeonatos da Europa, os direitos de transmissão são administrados pela liga responsável pelo futebol no país e são vendidos em conjunto, não individualmente como ficou estabelecido pela MP 984/2020 no Brasil. Inglaterra, Espanha e outros países entenderam que para um torneio menos desequilibrado é preciso minimizar a diferença nos ganhos com TV. É claro que existem critérios que priorizam financeiramente os clubes de maior apelo e com melhor desempenho nas competições, mas as negociações são realizadas para que a diferença de renda com transmissões não seja absurda
Com esse novo modelo adotado pelo futebol brasileiro, a tendência é que os times grandes, com mais recursos e torcida, consigam arrecadar muito mais que os pequenos. A tendência é que o abismo entre grandes e pequenos cresça consideravelmente. Nem todos são Flamengo. E isso deve ser lembrado pela diretoria dos clubes. A ruptura com a TV aberta pode ser um caminho a ser explorado, mas certamente não é a melhor alternativa para todos.

Filipe Souza

Jornalista da Rede Gazeta desde novembro de 2010, já atuou na CBN Vitória e como editor no site e de Esportes, na edição impressa. Desde 2019, mantém o cargo de editor de Esportes, agora do site A Gazeta, onde é também colunista. Antes trabalhou na Rádio Espírito Santo. É formado em Jornalismo pela Estácio de Sá.

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

João Paulo da Silva Ribeiro (destaque) é suspeito de matar Jarbas Guedes Batista
Cena alterada e contradições levaram à prisão de suspeito de matar namorado em Vila Velha
Osvaldo Maturano foi condenado a ressarcir o erário e pagar multa no mesmo valor após a Justiça apontar uso de servidores do gabinete para fins privados; decisão é do dia 27 de abril e ainda cabe recurso
Presidente da Câmara de Vila Velha é condenado por uso de assessores em serviço particular
Senac tem vagas abertas cursos em diversas áreas de conhecimento
Senac abre 3.000 vagas em mais de 150 cursos de graça no ES

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados