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Futebol

Flamengo vence a quarta seguida e se reaproxima do "velho normal"

Sem saber o que é derrota desde a segunda rodada do Brasileirão, Rubro-Negro evolui sob o comando de Domènec Torrent e já aparece no retrovisor do líder

Publicado em 10 de Setembro de 2020 às 06:00

Públicado em 

10 set 2020 às 06:00
Filipe Souza

Colunista

Filipe Souza Filipe Souza
Gabigol aponta o caminho para o sucesso do Flamengo no Brasileirão
Gabigol aponta o caminho para o sucesso do Flamengo no Brasileirão Crédito: Alexandre Vidal/Flamengo
Após trágico início no Brasileirão, o Flamengo já chegou à sua quarta vitória seguida na competição nacional. Sem saber o que é derrota desde a segunda rodada, quando perdeu para o Atlético-GO, o Rubro-Negro derrotou o Fluminense na noite desta quarta-feira (09) com boa dose de tranquilidade, assumiu a vice-liderança na tabela e já aparece no retrovisor do Internacional, líder do torneio.
O “novo normal” deixou o Campeonato Brasileiro ainda mais imprevisível do que ele costuma ser. Além dos inúmeros protocolos, dos estádios vazio e dos cantos de torcida no sistema de som dos estádios, o desempenho das equipes foi duramente afetado. Mas se tem um time que deseja que tudo volte a ser como antes, esse é o Flamengo. A régua é muito alta, o Flamengo de Jorge Jesus foi histórico, mas pouco a pouco, sob o comando de Domènec Torrent, o Fla dá sinais que se reaproxima de seu “velho normal”.
No triunfo sobre o Fluminense, o Flamengo sobrou no primeiro tempo, período suficiente para sacramentar a vitória. A qualidade técnica dos jogadores do Flamengo ficou muito visível frente a um esforçado, mas limitado elenco tricolor. O Rubro-Negro dominou o meio-campo com Thiago Maia (este em grande noite), Gerson e Diego. Pelos lados, Everton Ribeiro e Arrascaeta no suporte criativo. O Flu pouco fez, e ainda viu o goleiro Muriel rebater duas bolas para a frente da área e contribuir significativamente para os gols do Filipe Luís e Gabigol. 
O resultado pelo placar de 2 a 1 sugere uma dose de dificuldade que não existiu. O técnico Odair Hellmann, do Fluminense, cometeu erro grave ao escalar Nenê de falso nove. Aposta errada o suficiente para deixar o time inoperante no ataque, uma vez que Nenê não é atacante, e sem criatividade no meio-campo, já que o jogador é um dos poucos lúcidos na equipe. Um equívoco que cobrou muito caro. No segundo tempo, o treinador colocou Fred no jogo e corrigiu o esquema da equipe. O Fluminense se soltou mais, mas seguiu sem oferecer perigo. No fim, um gol que premiou a valentia, nada mais que isso.
Filipe Luís abriu o caminho para a vitória do Flamengo
Filipe Luís abriu o caminho para a vitória do Flamengo Crédito: Alexandre Vidal/Flamengo
O Flamengo foi cirúrgico para liquidar o jogo ainda no primeiro tempo, e inteligente para administrar o resultado na segunda etapa. Como esperado, o Rubro-Negro de Dome não é tão impetuoso como o de Jorge Jesus. É mais cadenciado. O que não o impede de ser eficiente e encantador à sua maneira. Ainda não é, mas pode vir a ser. Por enquanto, o treinador catalão vai conhecendo o elenco, dando o seu toque e testando o tão comentado rodízio de jogadores. 
No Brasil, onde o resultado é muito mais cobrado do que a performance, é normal estranhar um time que não tenha seus 11 titulares bem definidos e que o torcedor não tenha gravada a escalação. Porém, a estratégia pode se mostrar muito acertada em uma temporada em que o calendário será brutal, devido ao tempo de paralisação forçada pela pandemia do novo coronavírus.
O Brasileirão já tem suas rodadas às quartas e domingos, e ainda dividirá seus dias de semana com Copa do Brasil, Sul-Americana e Libertadores. Maratona que certamente terá impacto em todos os clubes. O próprio elenco do Flamengo deu sinais de cansaço na reta final do jogo contra o Fluminense. Dome ainda não tem a simpatia de todos, mas nesse contexto, pode ter uma boa dose de razão.

Filipe Souza

Filipe Souza Filipe Souza

Jornalista da Rede Gazeta desde novembro de 2010, já atuou na CBN Vitória e como editor no site e de Esportes, na edição impressa. Desde 2019, mantém o cargo de editor de Esportes, agora do site A Gazeta, onde é também colunista. Antes trabalhou na Rádio Espírito Santo. É formado em Jornalismo pela Estácio de Sá.

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