Os jogadores das duas equipes protagonizaram um momento histórico na noite de terça-feira (08), que pode ser um marco no combate ao
racismo no
futebol. A Uefa ainda tentou passar pano no acontecimento e solicitou que os atletas retornassem ao gramado, o que não aconteceu. Não dá mais para engolir o preconceito. Protestos como estes são fundamentais para que muitos possam refletir sobre o assunto.
"Aquele preto ali. Vá lá e verifique quem é. Aquele preto ali. Não dá para agir assim", disparou Coltescu a Ovidiu Hategan, árbitro principal da partida, solicitando uma punição ao camaronês da comissão técnica do Istanbul.
Há quem realmente acredite que o uso das palavras “aquele preto” foi apenas uma forma de indicar quem deveria ser punido. Não foi só isso. A expressão “aquele preto” naquele tipo de situação está carregada de preconceito. A frase foi pontuada com o objetivo de diminuir o profissional apenas pela sua cor de pele. O quarto árbitro, uma das autoridades da partida, tinha todo o direito de pedir punição a Webó, caso este tenha uma conduta antidesportiva. Mas nesse tom de acusação aí, de quem sente a necessidade em afirmar "aquele preto"!? Não sejamos inocentes. É como protestou Demba Ba. Por que não "esse cara"? Por que tem que vir acompanhado do "preto" justamente na hora de exercer autoridade sobre o outro? Não é de hoje. Infelizmente é cultural, e histórico.
Não é mimimi, não é vitimização. É um grave problema social e que precisa ser combatido. Enquanto muitos acham natural, que não faz mal e não tem nada ver, pessoas pretas sofrem com isso todos os dias. Que o protesto dos jogadores possa fazer muita gente abrir os olhos e entender que a discriminação racial precisa acabar. Que o quarto árbitro tenha a punição devida pelo ato que cometeu, e que assim possamos caminhar para a erradicar essa prática cruel.