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Protesto

"Aquele preto ali": disfarçado de indicação, mas carregado de racismo

Jogadores de PSG e  Istanbul Basaksehir abandonaram partida após o quarto árbitro Sebastian Coltescu ser preconceituoso com Pierre Webó, membro da comissão técnica do time turco. Dia histórico

Publicado em 09 de Dezembro de 2020 às 05:00

Públicado em 

09 dez 2020 às 05:00
Filipe Souza

Colunista

Filipe Souza

Demba Ba questiona o racismo do árbitro romeno Sebastian Coltescu
Demba Ba questiona o racismo do árbitro romeno Sebastian Coltescu Crédito: Reprodução/Esporte Interativo
"Você nunca diz 'esse cara branco', você diz 'esse cara'. Então por que você está mencionando 'cara preto'? Você tem que dizer 'esse cara preto'? Por quê?!". Esse foi o desabafo do atacante senegalês Demba Ba para Sebastian Coltescu, quarto árbitro da partida entre Istanbul Basaksehi e Paris Saint-Germain, válida pela Liga dos Campeões. O assistente foi racista com Pierre Webó, membro da comissão técnica do time turco. Após o episódio, os jogadores se recusaram a retomar o jogo, que deve ser encerrado nesta quarta-feira (09).
Os jogadores das duas equipes protagonizaram um momento histórico na noite de terça-feira (08), que pode ser um marco no combate ao racismo no futebol. A Uefa ainda tentou passar pano no acontecimento e solicitou que os atletas retornassem ao gramado, o que não aconteceu. Não dá mais para engolir o preconceito. Protestos como estes são fundamentais para que muitos possam refletir sobre o assunto.
"Aquele preto ali. Vá lá e verifique quem é. Aquele preto ali. Não dá para agir assim", disparou Coltescu a Ovidiu Hategan, árbitro principal da partida, solicitando uma punição ao camaronês da comissão técnica do Istanbul.
Há quem realmente acredite que o uso das palavras “aquele preto” foi apenas uma forma de indicar quem deveria ser punido. Não foi só isso. A expressão “aquele preto” naquele tipo de situação  está carregada de preconceito. A frase foi pontuada com o objetivo de diminuir o profissional apenas pela sua cor de pele. O quarto árbitro, uma das autoridades da partida, tinha todo o direito de pedir punição a Webó, caso este tenha uma conduta antidesportiva. Mas nesse tom de acusação aí, de quem sente a necessidade em afirmar "aquele preto"!? Não sejamos inocentes. É como protestou Demba Ba. Por que não "esse cara"? Por que tem que vir acompanhado do "preto" justamente na hora de exercer autoridade sobre o outro? Não é de hoje. Infelizmente é cultural, e histórico.
Não é mimimi, não é vitimização. É um grave problema social e que precisa ser combatido. Enquanto muitos acham natural, que não faz mal e não tem nada ver, pessoas pretas sofrem com isso todos os dias. Que o protesto dos jogadores possa fazer muita gente abrir os olhos e entender que a discriminação racial precisa acabar. Que o quarto árbitro tenha a punição devida pelo ato que cometeu, e que assim possamos caminhar para a erradicar essa prática cruel. 
O mundo do esporte, como atinge, milhões de pessoas, tem papel fundamental nessa luta. Recentemente movimentações importantes aconteceram pelo planeta. Jogadores da NBA já se manifestaram, o piloto britânico Lewis Hamilton já se posicionou no elitizado ambiente da Fórmula 1, e nessta terça vimo Demba Ba, Webó, Mbappé e Neymar também mostrando a todos a insatisfação com o preconceito. É isso que deve ser feito.

Filipe Souza

Jornalista da Rede Gazeta desde novembro de 2010, já atuou na CBN Vitória e como editor no site e de Esportes, na edição impressa. Desde 2019, mantém o cargo de editor de Esportes, agora do site A Gazeta, onde é também colunista. Antes trabalhou na Rádio Espírito Santo. É formado em Jornalismo pela Estácio de Sá.

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