Quem nunca foi seduzido pela ideia de imprimir dinheiro?! Quem não pensou que a maneira mais fácil de acabar com a pobreza seria o governo “criar” dinheiro e distribuir para os pobres?! De uma forma ou de outra, o tema já povoou o imaginário de todos nós. Então, faltando muito pouco para que a nossa conjuntura alcance a classificação técnica de “depressão econômica”, estamos às portas de utilizar a ferramenta e o cenário não poderia ser mais apropriado.
A maior preocupação do presidente do Banco Central e daqueles que são contrários à impressão de dinheiro é que o aumento da base monetária gere inflação. De fato, temos precedentes: Na década de 1950, o governo Juscelino Kubitschek utilizou-se prodigamente da excepcionalidade (emissão de moeda) para construir Brasília e produziu quase 40 anos de escalada inflacionária que só chegou ao fim com o Plano Real.
A lógica para temer a pressão inflacionária é simples: o dinheiro disponível aumenta e os bens e serviços se mantêm estáveis. Assim, haveria, inevitavelmente um aumento (nominal) dos preços. Não precisa ser economista para saber que estamos diante de circunstâncias completamente diferentes. Lá (1950), a maquininha de “fazer” dinheiro operou para financiar uma excentricidade do então presidente da República. Necessidade mesmo, não havia.
Aqui (2020), trata-se de sobrevivência, e o risco de inflação parece ser zero. Com a anemia que se abateu sobre a atividade econômica seria necessária muita “adrenalina” (dinheiro novo) para causar a temida euforia (inflação). Até porque, como em quase todos os casos, os sonhos de infância quando se realizam, costumam ter uma mecânica bem menos “encantadora” do que a imaginação pueril.
Assim, o montante mais significativo do dinheiro “novo” não virá da “impressora” (Casa da Moeda) e será puramente contábil (escritural), com a troca de títulos e papéis nas telas dos computadores. Claro que há outros remédios conhecidos (menos amargos), como baixar a taxa de juros estimulando novos empréstimos e maior circulação de dinheiro, diminuir o compulsório e deixar mais dinheiro à disposição dos bancos comerciais de forma a possibilitar a expansão do crédito e etc...
O problema é que os sinais vitais do doente não recomendam aspirina nem chá de camomila. Já está claro que o tombo será muito parecido com a Grande Depressão de 1929, o diferencial positivo é que agora temos um instrumental muito maior para o enfrentamento. Acumulamos experiências e a própria ciência econômica evoluiu.
Ou entendemos, todos, que estamos vivendo algo novo, gravíssimo e sem precedentes ou vamos, todos, juntos, para o buraco. É preciso que fique claro que o dinheiro é um poderoso instrumento de trocas. Sem ele a roda não gira; só com ele a roda gira desgovernada. Também é preciso ter consciência de que a solução é temporária e excepcional, senão corremos o risco de criar bolinhas de sabão do tipo: emagreça comendo, aprenda inglês dormindo, faça abdominais sem esforço (deitado) ou, enriqueça imprimindo dinheiro. Aí doeu! Eu não falo palavrões. Lembram!?