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Advogado especialista em Direito Empresarial, professor universitário, doutor em Direito e mestre em Educação e Comunicação

O que desejo para 2020? Desejo que 2018 termine!

Carregamos para 2019 todo o peso, a destemperança, a guerra de torcidas, os problemas reais e até os imaginários presentes em 2018. Então, fizemos jornada dupla e é justo que estejamos exaustos

Publicado em 02/01/2020 às 04h00
Atualizado em 02/01/2020 às 04h01
Um ano de cansaço. Crédito: Divulgação
Um ano de cansaço. Crédito: Divulgação

Não lembro de ter chegado tão cansado a um final de ano como estou chegando agora! Ouvi isto, com pequenas variações, de diversos amigos, conhecidos e familiares. Resolvi investigar em causa própria, pois, é exatamente assim que também me sinto. O que houve? Trabalhamos mais? Dormimos menos? Mudou algo na rotina?

Depois de uma pesquisa bem duvidosa do ponto de vista científico, mas bastante consistente do ponto de vista subjetivo, cheguei às seguintes conclusões: Nós, aqui no Brasil, em 2019, vivemos dois anos em um. Explico: Carregamos para 2019 todo o peso, a destemperança, a guerra de torcidas, os problemas reais e até os imaginários presentes em 2018. Então, fizemos jornada dupla e é justo que estejamos exaustos.

Utilizando um pouco de metodológica científica, alguém poderia perguntar: Mas todos os anos não trazem consigo os seus antecessores? Não foi Morin quem disse que “um pouco do que somos é um pouco do que fomos”? Pois é, arrisco dizer que neste caso é diferente.

Evidente que a vida é um acumulado de memórias, em regra cronológicas, que formam o que chamamos de “o nosso passado”. Assim, os anos que “passam”, costumam ficar na memória e “integrar” a pessoa que nos tornamos a cada dia. Entretanto, no caso em análise, parece-me que 2018 não passou, e, insistiu em coexistir com 2019, exigindo esforço hercúleo para equilibrar trabalho, relações sociais, pessoais e familiares. Não foi brincadeira!

Apesar de tudo isto, já percebo tímidos ares de ponderação, temperança, equilíbrio e arrefecimento de ânimos. Não quero tirar 2018 da memória – nem seria salutar – quero apenas tirá-lo das costas para que possamos caminhar em 2020 com mais fluidez. O brilhante Jornalista Zuenir Ventura escreveu “1968 – O ano que não terminou". Será coincidência que 50 anos depois tenhamos outro ano que insiste em não querer terminar?! Acho que não!

Não desprezo a memória, mas sou um apostador inveterado na esperança. Porque, já se disse que o ser humano tem dois vínculos temporais igualmente importantes: A memória e a esperança: O único vínculo entre o presente e o passado é a memória; e o único vínculo entre o presente e o futuro, é a esperança. Estou certo de que a perda da memória é também responsável pela perda da esperança.

O professor Lênio Strek fez uma breve e incrível narrativa sobre a importância de lembrar: Em um dado momento, um bisavô encontra o seu bisneto e ambos têm o mesmo beatífico sorriso de felicidade. Um é feliz porque ainda não tem memória, e o outro..., é feliz porque já perdeu a memória. Mas esta felicidade eu não quero!! Por isto 2018, saia das costas e tome assento na memória!

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