Muito se fala sobre ciclo do mercado imobiliário e sua principal especulação relacionada ao contexto econômico. Ocorre que o mercado imobiliário se formou pelo interesse de novas oportunidades pelas pessoas e o consequente crescimento das cidades.
Cada profissão foi consolidada a depender do contexto e necessidade de mercado para os temas mais técnicos. Com isso, temos o seguinte fluxo:
Condições de vida (água, alimento e trabalho) -> Novas pessoas -> Crescimento das cidades (construção) -> Organização do mercado imobiliário (profissões, legislações, métodos) -> Oscilação do mercado diante das demandas locais e movimentos gerais
Isso demonstra que são as pessoas que movimentam o mercado imobiliário. É o comportamento humano que destaca novos contextos. Por isso, muitas pesquisas analisam dados demográficos (faixa etária, gênero, faixa de renda) e geracionais (comportamentos comuns no contexto da faixa etária).
Dito isso, há um clássico mito que o mercado imobiliário é bem diferente dependendo da região. Acontece que a observação do comportamento das pessoas faz entender a fase do mercado local e aplicar as estratégias iniciais do contexto com a devida adaptação depois de testes.
Como um exemplo, o Estado do Rio de Janeiro sofreu uma diminuição da população nos últimos anos, segundo o Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em contrapartida, o Espírito Santo recebeu um aumento populacional. Os dois Estados possuem pontos de semelhanças e divergências de acordo com o ponto de vista histórico, geográfico, econômico, social, urbanístico e do mercado imobiliário.
Partindo deste ponto de partida, entrevistei três profissionais cariocas para trazerem comentários do mercado imobiliário carioca e capixaba em linha comparativa de oportunidades de mercado.
Inicialmente, destaco para a advocacia que atua no mercado imobiliário: os conflitos sempre surgem em todos os momentos da cadeia de produção, sendo à nível regional, estadual, nacional ou internacional.
A grande diferença é o momento específico da região que se encaixa na alta de determinados conflitos e baixa de outros. Um exemplo prático é que o aumento de construções em uma região traz mais discussões sobre a garantia da obra, responsabilidades das empresas do setor, análise de distrato e atraso de cronograma de obra, regularização de condomínios e por aí vai.
Enquanto a região que já possui consolidação de imóveis, a alta de demanda é sobre aluguel, benfeitorias (obras) de reforma, compra e venda.
Isso quer dizer que o mercado não é estático. Tudo varia de acordo com o momento da região, o comportamento das pessoas e análise dos profissionais que atuam. Só que no final das contas, o “conceito do serviço” relacionado ao conflito regional possui critérios objetivos (legislação e método) aplicados em qualquer lugar com mudança dos critérios subjetivos (pessoas, decisões e legislações locais).
Dito isso, deixo aqui as informações da entrevista com as profissionais do mercado imobiliário do Rio de Janeiro:
Luísa Simões, arquiteta e urbanista com especialização em Design de Interiores
1. Quais são os principais desafios enfrentados pelo Espírito Santo em relação à urbanização?
O Espírito Santo enfrenta uma série de desafios relacionados à urbanização, refletindo as complexidades e demandas decorrentes do crescimento urbano acelerado, assim como qualquer cidade o Brasil.
2. Na sua opinião, existe diferença de atuação do arquiteto de design de interiores no Rio de Janeiro e no Espirito Santo?
Sim, pode haver diferenças na atuação entre os dois estados devido a uma variedade de fatores, como: diferenças culturais, econômicas e a demanda do mercado. Culturalmente o estilo de design de interiores pode ser influenciado pela cultura e história de cada região.
3. Quais são as principais diferenças no padrão de urbanização entre o Rio de Janeiro e o Espírito Santo?
Uma das principais diferenças no padrão de urbanização entre os dois Estados é a concentração populacional e econômica na região metropolitana do Rio de Janeiro, que tem sido o principal motor do crescimento urbano no Estado, enquanto o Espírito Santo apresenta uma distribuição mais dispersa da população e uma menor concentração de atividades urbanas em sua capital, Vitória, e nas cidades próximas.
Isabela Domenici, corretora de imóveis e sócia da Domenici Assessoria Imobiliária Ltda
1. Quais são as principais semelhanças do mercado imobiliário nos Estados do Espírito Santo e Rio de Janeiro?
Ambos os Estados, assim como o restante do país, enfrentam há anos o déficit habitacional, causado principalmente por mudanças no perfil das famílias e transformações sociais, como o êxodo rural, por exemplo.
2. Apesar de fazerem parte da mesma região, quais as principais diferenças do mercado imobiliário nos estados do Rio de Janeiro e Espírito Santo?
Embora os Estados tenham área territorial basicamente iguais, a principal diferença refere-se à densidade populacional dos Estados - o Rio de Janeiro é um Estado mais populoso e densamente povoado em comparação ao Espírito Santo, o que afeta a oferta e a demanda por imóveis em diferentes escalas.
3. Em um cenário otimista, quais as expectativas para o mercado imobiliário nos estados do Rio de Janeiro e do Espírito Santo?
Redução dos juros de financiamentos imobiliários, resultando em taxas de financiamento mais atrativas para os compradores, estimulando a demanda por crédito imobiliário e tornando as condições de pagamento mais favoráveis e acessíveis.
Débora Cardia, engenheira civil, pós-graduada em planejamento, gestão e controle de obras civis
1. Sendo uma engenheira carioca e comparando os cenários atuais da construção civil do Espirito Santo e do Rio de Janeiro, como poderia ser sua atuação em ambos mercados?
Podemos observar o mercado do Espírito Santo com o desenvolvimento imobiliário em expansão com um grande número de lançamentos de imóveis.
2. Temos episódios recentes tanto no Rio quanto no Espírito Santo de desabamentos de imóveis. Qual a importância do profissional de engenharia para evitar essa situação?
O engenheiro é necessário antes mesmo da obra começar. Porque ela começa antes do primeiro dia no canteiro de obras, começa nos projetos. A partir deles conseguimos planejar uma obra.
3. A sustentabilidade está em alta não só no mercado imobiliário do Espirito Santo, mas no Brasil e no mundo. É possível ter práticas sustentáveis dentro de uma obra?
Com certeza. A integração da sustentabilidade na gestão de obras é crucial para reduzir o impacto ambiental. A construção civil consome muitos bens naturais e gera muitos, mas muitos resíduos.
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