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O que esperar do ano novo

Que 2021 traga dias melhores, com mais amor ao próximo

Ninguém está a salvo. Enquanto não nos unirmos contra o coronavírus, a força dele aumenta, prolongando a pandemia e o sofrimento

Publicado em 01 de Janeiro de 2021 às 06:00

Públicado em 

01 jan 2021 às 06:00
Caio Neri

Colunista

Caio Neri

2020 e 2021
2021 começa com a esperança de dias melhores, principalmente após o duro ano que foi 2020 Crédito: Shutterstock
Sempre que se inicia um ano novo, com ele renova-se a esperança de dias melhores. 2021 não poderia ser diferente, principalmente após o duro ano que foi 2020, quando infelizmente muitas vidas foram interrompidas pelo coronavírus. Além das milhares famílias em luto, a pandemia impôs outras dificuldades, como o agravamento das desigualdades sociais, o fechamento de postos de trabalho, o escancaramento da falta de empatia e respeito ao próximo e as restrições à vida como conhecíamos antes (restrições estas, totalmente necessárias e inevitáveis, diga-se de passagem).
Recentemente, como um alento para aqueles que se preocupam com o coronavírus, a empresa farmacêutica Pfizer identificou um composto antiviral promissor no tratamento da Covid-19. A AstraZeneca também anunciou que está testando um medicamento com potencial de gerar imunidade ao coronavírus. Os cientistas têm trabalhado incessantemente em busca de algum medicamento capaz de enfrentar o coronavírus. A eles, nossa gratidão, reverência e respeito!
A despeito da esperança e do nobre trabalho realizado por pesquisadores e universidades, ainda não houve a conclusão de nenhum estudo que aponte que algum medicamento seja capaz de combater o coronavírus com segurança. Apenas o saber científico conduzirá à identificação de tratamentos seguros e, principalmente, eficazes contra a Covid. 
O curandeirismo fantasiado de conhecimento, materializado pelos defensores de cloroquina, ivermectina e azitromicina apenas prejudica, à medida que obnubila o consciente coletivo e, muitas vezes, cria dúvidas infundadas, confundindo a verdade com a enganação. Enquanto isso, a luz no fim do túnel parece vir das vacinas que já foram aprovadas e começaram a ser aplicadas em diversos países, bem como inúmeras outras que estão em estágio avançado de testes.
Contudo, a luz no fim do túnel, ainda está um tanto quanto distante, sobretudo para os brasileiros, já que, lamentavelmente, a comoção e a preocupação que deveriam haver com as milhares de vidas perdidas cedeu espaço a uma deletéria politização da doença, a ponto de o presidente comemorar, como uma vitória sua, suposto fracasso de alguns imunizantes. A politicagem barata e o tom eleitoreiro em meio à pandemia do coronavírus no Brasil, protagonizada pela extrema direita, tem aumentado o fanatismo em muitas pessoas que passam a negar a ciência e a evidência dos fatos para concordar cegamente com o discurso populista e de ódio do presidente Jair Bolsonaro.
Para parcela significativa da população, ainda não é fácil aceitar que para sairmos bem da pandemia, além de uma forte e coordenada atuação estatal, é indispensável que cada um tenha a consciência da necessidade de contribuirmos para evitar que o vírus se fortaleça e se dissemine mais. Não podemos nos julgar acima do bem e do mal, como se fôssemos imunes ao vírus por sermos jovens ou sadios. É preciso ter em mente que mesmo que haja grupos de risco, o vírus possui um componente aleatório ou incerto, tanto é que diversas pessoas jovens e sem comorbidades também podem apresentar quadros graves e ir a óbito.
Ninguém está a salvo. Enquanto não nos unirmos contra o vírus, a força dele aumenta, prolongando a pandemia e o sofrimento. A pandemia deveria ensejar o fortalecimento de um senso coletivo, porém, o individualismo ecoa mais alto. Não é possível retroceder. O ódio não pode se sobrepor à primazia da defesa da vida. No entanto, não se combate o ódio com mais ódio. Precisamos dar o exemplo enquanto cidadãos, já que os governos, sobretudo o federal, estão tomados por uma inércia que os coloca mais como defensores do vírus do que como aliados da sociedade.
Não esperemos que o coronavírus bata na porta de nossas famílias e atinja alguém que amamos. Não há super-heróis, todos somos alvos e vítimas em potencial. A vida humana é sensível e até acordarmos para essa realidade, estaremos muito vulneráveis.
Que os quase 200 mil brasileiros mortos pelo coronavírus ensinem-nos a respeitar a vida humana e nos solidarizar à dor de nossos semelhantes. Que 2021 traga-nos dias melhores, com mais amor ao próximo e, principalmente, com vacinas para o maior número de cidadãos!

Caio Neri

E graduado em Direito pela Ufes e assessor juridico do Ministerio Publico Federal (MPF). Questoes de cidadania e sociedade tem destaque neste espaco.

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