No próximo domingo celebra-se o Dia das Mães. Todas as mães merecem nossa homenagem. Porém, quero homenagear, especialmente, e dar um pouco de voz às mães de pessoas que estão hoje detidas no sistema prisional capixaba por algum motivo. É de bom alvitre consignar, desde logo, que não se está prestando homenagens a qualquer ilícito cometido pelos detentos, tampouco não há nenhum intuito de buscar demonstrar a inocência ou intentar a absolvição dos mesmos.
Quem delinquiu deve ser processado de forma justa, seguindo o devido processo legal, e, se for o caso, a privação da liberdade é uma das consequências jurídicas possíveis. No entanto, uma condenação não retira dos presidiários sua condição de pessoa humana, muito menos, torna suas mães insuscetíveis de empatia alheia.
Quando o juiz profere uma sentença condenando alguém, por mais justa e acertada que seja a decisão, por ricochete, a pena atinge também os familiares do réu, sobretudo, as mães, que passam a ficar presas juntamente a seus filhos. Os filhos ficam presos num caixote de concreto, muitas vezes superlotado e em condições pouco compatíveis com a dignidade humana.
As mães ficam presas do outro lado dos muros da prisão, separadas de seus filhos, angustiadas com a situação deles dentro da realidade caótica do sistema prisional: falta higiene nos presídios, muitas vezes as refeições servidas estão impróprias ao consumo humano.
A imensa maioria das mães de presidiários são mulheres trabalhadoras e honradas, que se pudessem, dariam a própria vida para que seus filhos não tivessem navegado pelas águas tortuosas da criminalidade. Como amor de mãe não tem limites, essas mulheres deslocam-se semanalmente aos estabelecimentos prisionais, distantes dos centros urbanos, para ter a oportunidade de passar ao menos alguns minutos ao lado de seus filhos e poder abraçá-los, é a mais pura demonstração do instinto materno.
Se não bastasse a distância percorrida, ao chegarem nas prisões, as mães (que nada tem a ver com os crimes praticados por seus filhos) vez ou outra são humilhadas, isso sem relembrar as revistas vexatórias e comentários jocosos contra elas. E as mães, apesar de serem mulheres de garra, fortes, suportam tudo isso caladas, porque o que elas mais querem não é o conflito, elas almejam a oportunidade de reencontrar seus filhos e que eles não sejam vítimas de nenhuma violência dentro da prisão, que possam pagar pelos seus delitos e sair de lá vivos.
Em tempos de pandemia do novo coronavírus, a preocupação das mães com seus filhos reclusos é ainda maior, já que a falta de condições de higiene, a falta de testagem em massa e a superlotação que se verifica nos presídios torna-se um ambiente propício a um alastramento da Covid-19.
Como neste momento elas não poderão dar um abraço em seus filhos que se encontram presos, fica aqui o singelo e respeitoso voto de feliz dia das mães a elas e o desejo de que suas vozes por justiça e dignidade humana sejam efetivamente levadas em consideração pelas autoridades.