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Eleições 2020

No segundo turno, o mais importante é que você vote válido

Somadas as abstenções, os votos nulos e os votos brancos, temos quase 80 mil pessoas que não exerceram por completo o seu direito de participar da democracia em Vitória

Públicado em 

25 nov 2020 às 04:00
Brunela Vincenzi

Colunista

Brunela Vincenzi

Cidade de Vitória vista do Morro da Piedade
Cidade de Vitória vista do Morro da Piedade Crédito: Fernando Madeira
No próximo domingo (29), o mais importante é que você vote válido, exercendo, assim, o seu direito constitucional de participar de forma ativa da democracia no seu município.
Entre os direitos que formam o conglomerado de direitos constitucionais da cidadania, temos como o mais importante o direito ao voto livre, válido e secreto. Nas palavras da filósofa Hannah Arendt, a cidadania é o “direito a ter direitos”, tendo no seu núcleo o direito ao voto. A fim de que uma democracia realmente funcione, os votos precisam ser emitidos livremente e, posteriormente, contabilizados em sua integralidade. Além disso, deve-se garantir que a votação seja de acesso universal, ou seja, que a todas as pessoas que vivem num país seja garantido o acesso ao local de votação sem dificuldades ou barreiras.
Com relação a este último ponto ainda temos algumas dificuldades, pois migrantes e refugiados não têm direito ao voto no Brasil, apesar de serem afetados diretamente pelas políticas e legislações que os representantes eleitos deliberam. Somente a naturalização lhes concede o direito ao voto no país. Por isso, alegrei-me enormemente quando, no último dia 15 de novembro, um amigo imigrante da Líbia, recém-naturalizado brasileiro, fez questão de comparecer às urnas, quando cerca de 24,02% do eleitorado capixaba deixou de votar.
Quem conhece a dor e o sentimento de exclusão, de ver negado o direito de voto num país; quem sabe o que é viver num país governado por um déspota autoritário certamente reconhece o direito ao voto como uma garantia maior, que não pode e não deve ser menosprezada.
Sendo assim, importante que no próximo domingo na Capital do Espírito Santo todos exerçamos o nosso direito de voto com consciência e pensamento crítico-pragmático. Isso porque, ao votarmos, temos que refletir se a pessoa que estaremos elegendo com nosso voto vai permitir que as próximas eleições aconteçam com todas as garantias que compõem o conglomerado de direitos da cidadania, como expus acima.
Agora reflitamos um pouco sobre números aqui no Espírito Santo e na Capital: foram 674.875 abstenções no Espírito Santo, cerca de 24,02% do eleitorado capixaba, cerca de 6% maior do que a média do país, que é de 23,14%. Em Vitória, especificamente, tivemos 63.494 abstenções, ou seja, um percentual de 25,45% do eleitorado da capital do Estado não foi votar no dia 15 de novembro.
Além das abstenções, tivemos em Vitória, 8.502 votos nulos e 7.660 votos brancos, representando, respectivamente, 4,54% e 4,08% do eleitorado da Capital.
Somadas as abstenções, votos nulos e votos brancos, temos 79.656 pessoas que não exerceram por completo o seu direito de participar da democracia no Brasil. São quase oitenta mil pessoas que poderão fazer a diferença no segundo turno das eleições na capital do Estado.
Esse é um dado extremamente relevante, pois sabemos que 80 mil pessoas podem fazer a diferença em Vitória, que passa por um processo eleitoral extremamente delicado.
É importante que aconteça aqui na capital do Estado o mesmo que aconteceu nas eleições presidenciais norte-americanas, onde a grande maioria da população que defende os valores da democracia, dos direitos humanos e dos direitos das mulheres aliou-se a movimentos sociais como o #blacklivesmatter, para dar um voto pragmático contra um candidato (Donald Trump) que constantemente discriminava o povo negro, repudiava os pobres e as mulheres, e, principalmente, pregava a violência policial como única forma de resolução de conflitos.
Portanto, no domingo, aqui também, é hora de dar um voto pragmático ao candidato que defende a paz, os direitos humanos, a dignidade humana e o diálogo democrático e repudia a violência policial como forma de governo.
São 80 mil pessoas que podem decidir entre direitos humanos, integração social, paz e democracia de um lado, e violência policial e o uso da força para a resolução de todas as questões sociais, de outro.
Agora cabe a você decidir!

Brunela Vincenzi

Professora da Ufes, coordenadora da Cátedra Sérgio Vieira de Mello ACNUR/ONU para refugiados e presidente da Comissão de Direitos Humanos da Ufes. Redes sociais: @brunelavincenzi

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